quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Filhos da Esperança (nota 10)

Todos os apreciadores de ficção científica já se habituaram a diferentes visões de futuros sombrios para a humanidade. Mas em Filhos da Esperança (Children of Men, título original), esse futuro deprimente atinge novos patamares ainda mais assustadores, com um enredo incrível e original. E para ajudar ainda mais a experiência, o diretor mexicano Alfonso Cuarón escolheu contar essa história com incríveis e longos plano-sequência lindamente coreografados.
Num futuro próximo, 2027 para ser mais exato, a humanidade enfrenta uma crise sem precedentes. Todos os humanos na Terra se tornaram estéreis, e nenhuma criança nasceu nos últimos 18 anos. As nações estão em crise, fronteiras são fechadas para proibir migrações, guerras civis são constantemente travadas contra milícias revolucionárias, e no meio de todo esse cenário cinza empoeirado encontramos Theo Faron (Clive Owen), um burocrata divorciado que não tem mais nenhuma motivação para nada na vida. Mas tudo muda quando sua ex-esposa pede seu auxílio para transportar em segurança uma jovem negra que carrega um milagre, que pode salvar a humanidade.
O mais assustador desse filme é o fato dele retratar um futuro decadente para a humanidade que é muito possível e realista. Realmente impressiona! E os longos planos-sequência (longos takes sem nenhum corte), sendo o último próximo do final do longa de cair o queixo, nos colocam dentro da ação o tempo todo, deixando o espectador sem fôlego nas cenas mais tensas. Falando no final do filme, é realmente impressionante o trabalho de sincronia, cenários e improvisação que devem ter sido exigidos. Não me lembro de nenhuma cena sem corte algum tão longa e complexa quanto essa nos cinema.
O elenco é pequeno mas muito competente. Clive Owen está ótimo e seu figurino está bizaro, pois ele passa metade do filme de havaianas! Fazem companhia a ele Juliane Moore e Michael Caine. Um filme que mostra um futuro assustadoramente possível e deprimente, mas que conta uma ótima história original. Imperdível!

3 comentários:

Mila Gushiken disse...

Acompanho sempre que possível e pego várias dicas de vocês! Parabéns pelas críticas realistas!!
Agora, espero a de "Melancolia" pra ver se concorda com a minha.
um beijo

Felipe disse...

Obrigado pelos elogios, Mila. Tentamos manter o blog sempre atualizados com filmes novos ou antigos. Quanto ao Melancolia, infelizmente não verá uma crítica minha tão cedo aqui, realmente não sou fã do estilo "deprê" dele. Tentei ver o anticristo, mas me incomodou tanto que desisti. Somos mais adeptos do cinema diversão, hehehe.

Mila Gushiken disse...

Foi o primeiro filme que assisti dele e confesso que também achei bem pesado, mas sem dúvida, é muito bom. Vou tentar o Anticristo quando o efeito melancolia passar.. haha
E valeu pela resposta!!