sexta-feira, 10 de agosto de 2012

American Pie: O reencontro (nota 5)


Eu sou da geração Amerian Pie. Eu estava passando pelos mesmos ciclos de vida que os amigos Jim, Kevin, Oz, Finch e Stifler na época que seus filmes foram lançados nos cinemas, por isso sempre tive uma grande identificação com os mesmos. Por isso estava bastante curioso para ver o que aconteceria neste reencontro, mesmo tendo muito receio que o filme pudesse ser muito ruim. Se por um lado fica o alívio de não terem estragado o filme, fica não uma decepção, mas sim uma tristeza de se constatar algumas coisas que, assim como os meus cabelos, com o tempo ficaram pra trás. Acreditem, mesmo com bons momentos de risadas, no conjunto da obra esse filme de comédia conseguiu me deixar com um leve sentimento de depressão.


Curiosamente, pouco antes de conferir este filme acabei revendo o primeiro longa de 1999 na tv a cabo. Foi estranho rever e perceber como o estilo de humor desta série envelheceu meio mal, dependendo quase que exclusivamente de baixarias para conseguir fazer rir. Eu esperava que neste novo longa, esse defeito fosse corrigido, mas infelizmente os roteiristas mantiveram exatamente a mesma rotina de humor e lições de vida dos longas anteriores, como se estes personagens estivessem eternamente presos num ciclo eterno repetindo as mesmas situações, dramas e problemas. É como se eles não evoluíssem nunca, e isso que me pegou, pois foi nesse ponto que a minha identificação com o universo de American Pie se desfez completamente, perdendo o vínculo que me ligava à aqueles personagens.


Sei que é muito estranha esta análise que fiz acima, mas sempre acreditei que o cinema, não importa se é de arte ou pipocão, devem despertar no expectador a emoções e sentimentos. E mesmo num filme tão bobo como esse, que deveria ser uma comédia, ele acabou despertando uma grande vontade de rever minha vida até aqui, e felizmente me encontro num momento muito mais feliz do que os personagens de American Pie, por isso o filme acabou me incomodando mais do que divertindo.


Mas calma lá, também não é tudo tão ruim assim. Mesmo dentro desses momentos constrangedores todos, podemos sempre contar com a avacalhadora e genial presença de Stifler. Comicamente falando, ele salva o filme e se destaca como o melhor personagem, com a sua tradicional boca suja e total capacidade de passar dos limites. Alguns outros momentos cômicos não passam de reedições de momentos marcantes dos outros filmes, causando um leve sorriso no expectador mais pela nostalgia do que pela graça da situação. É fato que o estilo de humor não resistiu bem ao tempo, e parecendo bobos perto de outras comédias adolescentes atuais como o ótimo Superbad, por exemplo.


É muito bom reviver os bons momentos passados com os amigos, mas é melhor ainda manter os bons amigos sempre por perto durante toda a vida, para continuar criando novos momentos para serem relembrados no futuro. E esta é uma lição que aparentemente os personagens de Amerian Pie não aprenderam.

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