terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Django Livre (nota 7)

Ok, esta vai ser uma crítica muito difícil de escrever. Adoro os filmes do Tarantino, e estava muito curioso para conferir seu western, mas confesso que saí do cinema com um gosto um pouco amargo na boca. Mas assim como aconteceu com Bastardos Inglórios, que também não me agradou de imediato, preferi deixar o filme decantar na minha cabeça antes de dar minha opinião. No caso do Bastardos, passei a gostar muito do filme, mas infelizmente o mesmo não aconteceu com Django.

Está certo que ainda se trata de um filme do Tarantino, e muitas das qualidades habituais do diretor/roteirista continuam presentes, como os diálogos excelentes, os personagens cativantes, o sarcasmo, as mortes violentas e bizarramente engraçadas, e muito, muito sangue espirrando pra todos os lados.


Mas a falta de algumas das características acabou enfraquecendo o filme, como por exemplo, a linearidade. Geralmente os filmes do Tarantino costumam brincar com a montagem do filme fora de ordem, indo e voltando no tempo. Em Django, onde optaram por um enredo linear, aliado a longa duração do filme com 2:45h, deixaram o filme muito cansativo. E os defensores do ator que me perdoem, mas Jamie Foxx não serve para ser protagonista do Tarantino. O diretor costuma arrancar interpretações geniais dos atores mais improváveis, mas nem ele foi capaz de melhorar o Jamie Foxx.

Mas pelo menos isso é compensado em parte pelo restante do ótimo elenco. Christoph Waltz volta novamente e rouba a cena sempre que está nela. Leonardo DiCaprio entrega um excelente e odioso vilão, acompanhado por um Samuel L. Jackson brilhante como eu não via em muito tempo. 

O enredo de vingança  de um ex-escravo contra os donos de sua mulher, tem momentos estranhos e não muito bem encaixados, fazendo deste o roteiro menos inspirado do cineasta, infelizmente. Se tratando de um western, é um bom filme, mas se tratando de Tarantino, ficou bem abaixo dos últimos trabalhos do cineasta. De qualquer forma vale ser conferido sem sombra de dúvida.

2 comentários:

Anônimo disse...

Ótimo comentário, foi o mais sucinto que já li (acho que sou o único cara que APÓS de ver um filme vejo vária criticas)
Porém discordo da atuação de Foxx. Acredito que o frio e calado Django seja a opção de Tarantino. A dupla Foxx/Waltz lembra muito a perfeita combinação de Travolta(com chapinha)/L.Jackson(de black power), respectivamente um excelente arroz com feijão e a perfeição em atuação...
Não é um comentário racista, mas percebeu que as duplas possuem cores opostas...

Felipe Trindade disse...

Obrigado pelo comentário. Quanto ao Foxx, concordo que a atuação oposta a de Waltz faz uma boa mistura na tela. Enquanto dupla, os dois se complementam muito bem, mas eu nunca fui muito fã do foxx, e acho que isso interferiu um pouco no meu julgamento.

Já na dupla Travolta/Jackson de Pulp Fiction, o Travolta contribuia muito mais nos diálogos. Aqui parece que Waltz fala, fala, e Foxxo pouco contribui.

De qualquer forma, valeu pela opinião, me fez repensar um pouco minha opinião sobre o filme, mas acho que preciso rever com calma. Abraço.