segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Blade Runner – Final Cut (nota 10)

Sempre gostei de Blade Runner, mesmo quando criança que vi o filme original dublado na Globo e não entendi porcaria nenhuma. Meu gosto por ficção científica já tomava forma graças a Star Wars e a Star Trek (culpa da minha mãe), então mesmo não entendendo muito o conceito de Blade Runner, gostava bastante.

Mas hoje, com outros olhos e após alguma pesquisa, sei que o original (de 1982) tinha muitos defeitos, por culpa de imposições do estúdio, alterando a obra do que tinha sido pensada por Ridley Scott. Ao longo dos anos o diretor Ridley Scott alterou o filme diversas vezes, são sete versões ao total se não me engano, esta versão de 2007 recebeu o carimbo de Final Cut, ou seja, provavelmente é a versão definitiva de como o diretor sempre imaginou a sua obra, e sem dúvida é a melhor de todas.
Fiquei feliz em ver que o filme continua muito atual e não envelheceu nada. Mesmo os efeitos visuais, que foram “limpados” mas não refeitos para esta edição final em Blu-Ray, não parecem datados e combinam com a obra noir definitiva do cinema. O áudio melhorado também está impecável, e a incrível trilha sonora de Vangelis soa melhor do que nunca. Outra coisa que mostra como o filme continua atual é como foi retratada a cidade de Los Angeles do futuro. As ruas apinhadas de pessoas de todas as nacionalidades, em sua maioria chineses, foi uma visão do futuro muito válida ainda para os dias de hoje.
Mas ainda tenho uma dúvida após esses anos todos: por que diabos o subtítulo Caçador de Andróides foi dado no Brasil? Não existe nenhum andróide ou robô na história. O personagem principal Rick Deckard, mais um papel imortalizado por Harrison Ford ao lado de Han Solo e Indiana Jones, é um caçador de REPLICANTES, seres de carne e osso criados geneticamente para executar funções perigosas ao ser humano. E aí fica a grande discussão filosófica do filme, por que um ser de carne e osso consciente de si, com emoções e memória, só por ter sido criado em laboratório pode ser abatido sem ser considerado assassinato? Talvez a culpa deste subtítulo venha do conto original de Philip K. Dick intitulado Do Androids Dream Of Electric Sheep?.
O climão noir dado pela música e pela fantástica iluminação permanecem o mesmo. Mesmo se tratando de um filme futurista, que sabemos ter sido filmado numa época facilmente reconhecível pela moda exagerada, o filme parece ter sido filmado ontem, permanecendo relevante e cerebral. Eu nunca consegui chegar numa conclusão sobre a dúvida que sempre fica na cabeça de todos, Deckard é ou não um replicante? Só sei que a fala final de Roy Batty, o replicante que não quer morrer impecavelmente vivido por Rutger Hauer é de dar arrepios:
"Eu ví coisas que vocês não acreditariam. Naves de ataque pegando fogo no ombro de Orion. Eu vi raios-C brilharem no escuro perto dos portões de Tannhäuser. Todos esses … momentos estarão perdidos no tempo, como lágrimas … na chuva. Hora de morrer."

2 comentários:

Cristiano disse...

Cara... eu fui assistir um dia desses... mas acabei dormindo....kkk

Felipe disse...

Perdeu um dos maiores filmes de ficção que Hollywood já produziu. Eu aconselho a tentar de novo num dia menos sonolento, hehehe. E já pegue essade 2007.