segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Kick-Ass - Quebrando Tudo (nota 7)

 Esse filme foi totalmente diferente do que eu esperava. E isso foi bom, afinal houve o elemento da surpresa, que já julgava ter perdido após ver tantos trailers. Eu não conheço o quadrinho que originou o filme, então nem posso fazer qualquer tipo de comparação. Mas prepare-se para uma história de "super heróis" nada convencional e totalmente fora dos padrões.

O mais interessante desta história é a construção nada convencional dos personagens, heróis e vilões. Tudo aqui foge ao tradicional super herói como Homem-Aranha, X-Men e Batman, nem se parece com Watchmen onde os heróis tem tantos defeitos de carácter quanto os vilões. Em Kick-Ass, um adolescente normal resolve colocar uma roupa comprada no ebay e sair por aí bancando o herói, inspirado por todos os quadrinhos que leu. Ou seja, é a desglorificação do herói feita de forma inteligente, sarcástica e realista. Por exemplo, na sua primeira tentativa de heroísmo, Kick-Ass leva um pau absurdo e vai parar no hospital, hehehe.
Mas fique calmo, nem tudo é tão chato como eu fiz parecer. Pra compensara falta de habilidade de Kick-Ass, existem dois outros "heróis" que são responsáveis pelas melhores cenas de ação e por boa parte da carnificina do filme. Big Daddy e Hit Girl, apesar de serem extremamente habilidosos e usarem uniformes típicos de super-heróis, matam cruelmente todos os bandidos com armas de fogo e todo tipo de lâminas que podem, e ainda se divertem muito com isso. Detalhe, a Hit Girl não deve ter mais do que 12 anos, hehehe. E como a minha inclinação para o humor negro, me diverti muito vendo uma molequinha arregaçando com um bando de marmanjo.
O enredo geral é bem interessante, e toma rumos inesperados ao longo do caminho. O tema geral é muito voltado pro público adolescente, mas deve agradar aos marmanjos também. As atuações estão dentro do esperado por parte dos atores jovens, mas dou destaque especial pra Chloe Moretz que manda muito bem como a durona Hit Girl e por incrível que pareça pro Nicolas Cage, que está hilário como Big Daddy. E Mark Strong novamente manda muito bem como vilão, como já tinha feito em Sherlock Holmes e Robin Hood.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Tiras em Apuros (nota 5)

Apesar do nome genérico em português, esse filme tem um bom pedigree. Dirigido pelo rei dos nerds Kevin Smith (sendo esta sua primeira direção de um filme que não foi ele próprio que escreveu como Pagando Bem que Mal Tem e O Balconista 2 por exemplo), este filme sai muito do estilo do diretor / escritor, e vejo aí o primeiro problema. O divertido dos filmes de Smith são os diálogos ácidos, recheados de palavrões e cheios de referências pop entre personagens que representam pessoas comuns. Neste Tiras em Apuros não há a mesma empatia inicial, pois parece mais um filme padrão de ação / comédia que qualquer outro diretor sem expressão poderia ter dirigido da mesma forma.

Outra coisa estranha logo de cara é a dupla bizarra formada por Bruce Willis e Tracy Morgan. Eu achei inicialmente que não tinha como isso dar certo, mas o resultado final é muito interessante. O tempo e estilo de comédia dos dois atores é totalmente diferente, mas se encaixam muito bem na tela, fazendo as piadas funcionarem muito bem. E pra mim esse é a única coisa que realmente vale no filme. E ainda tem uma participação rápida de Seann William Scott (o eterno Stifler de American Pie) que é muito boa, resultando em boas risadas.

O enredo é passável no geral. O motivo principal gira em torno de um traficante mexicano, mas tem muitas histórias paralelas, algumas que servem bem à trama principal, como do casamento da filha do policial Jimmy, vivido por Willis) e outras que acabam mais atrapalhando o andamento do filme pois não agregam em nada. Eu até que dei boas risadas, mas duvido que este filme irá durar muito tempo em minhas lembranças.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Tropa de Elite 2 (nota 11)

Expectativa pré-filme é uma coisa muito complicada. Quando ela não é plenamente satisfeita pode significar que você não vai gostar tanto do filme quando poderia. Foi mais ou menos o que aconteceu comigo no filme A Origem. E quanto maior a expectativa, maior o possível tombo. Mas são raras as vezes que mesmo a expectativa sendo grande, acontece a felicidade de o filme ser melhor ainda e superar tudo que se esperava dele. E isso foi exatamente o que ocorreu comigo ontem ao sair em completo êxtase da exibição do Tropa de Elite 2 falando em alto e bom som no mesmo linguajar do longa: "Putaqueopariu!! Que filme fodástico do caralho!" Desculpem a linguagem chula, mas precisava desabafar.
Mas por que é tão bom assim? Por que absolutamente todos os aspectos da produção do melhor filme do ano (na minha humilde opinião) são executados com perfeição por uma equipe habilidosa e que manja muito de cinema. Começando pelo lado mais técnico, a fotografia é incrível, seja nas cenas em favelas e escritórios apertados ou em amplas tomadas aéreas, com enquadramentos não convencionais e aquela câmera tremida na medida certa nas cenas de ação que te colocam perto do que está acontecendo, deixando um clima clasutrofóbico onde o espectador se sente parte da ação constantemente. A edição e a montagem do filme são de cair o queixo. A trilha sonora se encaixa com perfeição em todas as cenas. A direção de José Padilha ao amarrar tudo isso é primorosa e merece muitos elogios de todos, não devendo nada para nenhuma produção Hollywoodiana. Mas é claro que nada disso conta sem ele, o coração e alma de qualquer filme, o roteiro!!
Escrito pelo próprio José Padilha em parceria com Bráulio Mantovani, este roteiro original (lembrando que o primeiro Tropa de Elite foi baseado numa obra literária) constroi uma trama incrível, cheio de maracutaias, reviravoltas, conspirações, bandidagem, politicagem, tudo amarrado com maestria e de forma coerente, que prendem a atenção do espectador do começo ao fim do filme. Tem momentos de pura adrenalina com ação vertiginosa, outros de que despertam a fúria e ódio, e ainda aqueles de desespero e sofrimento, e outros de pura risada seja pelo humor ou pelo nervosismo, mas no fundo no fundo, o roteiro brilhante mexe muito com o âmago de todos os brasileiros com temas muito sérios que transformaram o país na palhaçada que é hoje. Padilha dá um tapa na cara de todo eleitor e diz: "Presta atenção no que você está fazendo!"

E os personagens? No primeiro filme já eram todos muito carismáticos, e nesse segundo está ainda melhor. Personagens já conhecidos como o Coronel Nascimento, o Capitão Mathias, o Capitão Fábio retornam melhores do que antes, acompanhados por outros que o mantém nível de qualidade e empatia, e ainda conhecemos um dos melhores vilões do cinema brasileiro, o Rocha. Tão odiável e carismático quanto Zé Pequeno eu diria. E um protagonista da qualidade do Nascimento precisava de um vilão à sua altura, e é exatamente isso que temos.
Já que estamos falando dos personagens, os atores que os interpretam estão incríveis. Todas as atuações na medida certa, sem nada parecido uma novela da Globo. Dou destaque especial para Wagner Moura, Ihrandir Santos, André Ramiro, Milhem Cortaz e André Mattos. Todos entregam interpretações que devem durar por muito tempo na cultura pop dos filmes nacionais. E é claro que os diálogos são ácidos, recheados de palavrões e frases de efeito, como no primeiro filme.

Resumindo, o filme já fez uma das maiores bilheterias numa primeira senama no Brasil e merece ainda mais. Todos que gostam de um bom cinema tem a obrigação de ver este longa na telona e prestigiar uma das maiores obras do cinema nacional.

sábado, 16 de outubro de 2010

*TOP 5! FILMES DE CATÁSTROFES NATURAIS

Este tema pode ser tratado como um "guilty pleasure", ou seja, um prazer culposo. Filmes de desastres naturais são ruins por natureza (trocadilho idiota!!), não importa o elenco, o diretor, os efeitos especiais, pois o roteiro sempre é um tapa buraco para que milhões de dólares sejam gastos em cenas incríveis de tudo indo pro saco ao redor dos personagens. E mesmo sabendo de tudo isso, nós ainda adoramos ver estas tranqueiras. Como recentemente vimos 2 filmes que se encaixam perfeitamente nessa descrição, decidi fazer esta lista. Mas não entendam mal, a ordem não tem nada a ver com a qualidade do filme, longe disso. Decido ordenar a lista por ordem crescente de área destruída, hehehe. Aqui vai a lista:

5º LUGAR: O INFERNO DE DANTE
Começamos por um filme de vulcão, e escolhi o menos pior dentre eles. Em o O Inferno de Dante, acompanhamos um vulcanólogo tentando salvar a pacata e minúscula cidade Dante da ira do vulcão extinto vizinho. Temos vários clichés do gênero, como os costumeiros absurdos, como um caminhão atravessando um fluxo de lava por exemplo, o herói que salva a família, o chefe que não acredita nas previsões do herói, e por aí vai.

4º LUGAR: MAR EM FÚRIA
Certamente o melhor filme da lista em termos de qualidade geral. Atuações, enredo, personagens cativantes, situações emocionantes, efeitos especiais sem exagero, tudo é acertado nesse filme. Nele, acompanhamos o trajeto de um barco pesqueiro durante uma tempestade gigante. Não há muitos clichés do estilo de filme catástrofe, por isso sua qualidade.

3º LUGAR: IMPACTO PROFUNDO
Não podemos esquecer os filmes de meteoro, certo? E este está longe da tranqueira que foi o Armagedom. Mas como todos os filmes do estilo, tem muitos clichés. A família que não se fala e se junta no momento do desastre. O auto sacrifício para a sobrevivência do próximo. O jovem que acidentalmente descobre o fim da humanidade. O presidente negro. Efeitos especiais gigantescos. O bom deste filme fica pelo enredo que é mais interessante e respeita alguns fatos científicos, além de um bom elenco que consegue passar emoções verdadeiras.

2º LUGAR: O DIA DEPOIS DE AMANHÃ
Agora sim temos destruição em escala absurda, onde todo o hemisfério norte é destruído por uma era glacial que acontece quase instantaneamente! Novamente temos quase todos os clichés: família desunida que se junta por causa do desastre, coadjuvantes se sacrificando e morrendo heroicamente, alívio cômico totalmente desproporcional com a gravidade da situação, cientista desacreditado que descobre o problema mas larga tudo pra salvar o filho, e por aí vai. Nem sou muito fã deste, realmente é um filme feito só pra gastar efeito especial.

1º LUGAR: 2012
Pronto, nada pode ser maior do que O FIM DO MUNDO, certo? Mas o que seria do fim do mundo sem um herói improvável que é pai separado e distante dos seus filhos pra presenciar TODAS as catastrofes naturais possíveis combinadas num único e gigantesco desastre natural global, e ainda sobreviver pra se juntar com a família? Tem clichés nesse filme? Sim, todos eles: Presidente Negro que se sacrifica para o bem maior, chefe arrogante e mesquinho que só pensa no seu próprio bem, cientista  que prevê o desastre e acaba vítima dele, gente rica que ainda acha que dinheiro vale alguma coisa quando tudo está indo pro buraco, e por aí vai. Cenas absurdas como o carro escapando de um prédio, aviões desviando de mais prédios caindo, ou melhor ainda, a fuga a pé de uma imensa nuvem piroclástica!! Genial.

Mas calma lá, ainda tem muito mais pra contar. Vamos listar todos os desastres desse filme: Tem terremotos? Sim, Tem Vulcão? Sim, o maior que já ví num filme. Tem tsunami? Sim, tão grande que encobre o Himalaia. A explosão do vulcão faz voar tantos destroços que algumas cenas até parecem meteoros caindo, então também conta. Sério mesmo, só faltou um ataque alienígena pra completar a desgraça. É tão ruim, mas tão ruim, que fica bom. Este é verdadeiramente o "Ultimate Disaster Movie".

Só pra completar, vou roubar um pensamento de um amigo que disse: "Nunca mais será lançado um filme de desastre natural que não seja em cinema 3D, e o estúdio que lançou o 2012 deve estar arrependido até o fundo da alma por não ter esperado um pouco pra soltar o filme em 3D". Concordo plenamente!!

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Robin Hood - 2010 (nota 7)

Vou confessar que não achei que gostaria desse filme. Talvez por ser mais um com a nova mania de Hollywood de tentar transformar histórias clássicas ou personagens tradicionais em algo mais "real", ou o fato que todos os trailers pareciam muito com Gladiador. Seja como for, o resultado final é bem mais interessante do que o esperado e me agradou bastante. Felizmente a similaridade com Gladiador está somente no visual do filme e nas cenas de batalha, o resto da história é bem construída.

As atuações estão muito boas, todos os atores já bem conhecidos como Russell Crowe e Cate Blanchet e suas habituais competências para viver quaisquer papéis. A direção de Ridley Scott também na mesma habitual competência. O visual do filme é bem caprichado, com locações que nos remetem a florestas da Inglaterra, que acompanhado por um figurino de época dão muito bem o tom deste épico.
O enredo, como já escrevi acima, tenta contar a história "real" por trás do lendário personagem Robin Hood. Achei muito interessante como mesclaram esse enredo real com elementos clássicos. Por exemplo, não esperem o triunfal retorno rei Ricardo Coração de Leão para salvar o dia, mas podem contar com a presença do Little John, Frei Tuck e o Cherife de Nottingham. E este último não é o habitual vilão do filme, mas uma mera peça numa conspiração muito maior. Outra coisa é mania nos filmes atuais é a valorização das mulheres fortes e independentes, portanto a Lady Marion não é uma donzela em perigo, mas sim uma mulher forte e guerreira.

E como não poderia deixar de ser neste tipo de filme, ao final temos uma grande batalha de exércitos (algo fora do comum em filmes do Robin Hood), com direito a discurso motivacional e tudo o resto que se espera. No final o resultado agrada bastante, mas se não fosse um filme com o título Robin Hood, daria na mesma.

Como Treinar o Seu Dragão (nota 8)

O que mais gostei desse filme é perceber que a Dreamworks tem criatividade o suficiente pra não depender mais de continuações desnecessárias do Shrek. Tá certo que o ogro verde foi muito bem nos dois primeiros, mas já deu no saco, certo? Mas vamos falar do filme em questão, Como Treinar o seu Dragão é uma história típica de animações, sem muitas surpresas. Tem todos os elementos padrão que sempre agradam, como o filho desajeitado que não se encaixa com o resto da tribo, que não se comunica com o pai corretamente e que faz algo totalmente fora do padrão para se tornar o herói.

Mas esse filme realmente me agradou na forma que ele é conduzido, mesmo dentro deste enredo padrão, ele desenvolve muito bem os acontecimentos de forma interessante. E não tem como não gostar dos personegens devido ao enorme carisma que demonstram na tela. O crescimento e fortalecimento da amizade entre o magrelo Soluço e dragãozinho Banguela é divertidíssima de acompanhar. O dragão negro Banguela consegue expressar sentimentos incrivelmente humanos. Todos os personagens secundários são muito bem trabalhados, com ótimas interpretações de vozes por atores reconhecíveis.
E nem preciso dizer que a animação está excelente. O visual dos vikings é incrivelmente detalhado com texturas muito impressionantes, e as cenas de ação e voo dos dragões são muito bem resolvidas. Só tem uma coisa que realmente não fez sentido pra mim na dublagem original dos personagens. Se são todos vikings, ou seja, no mínimo deveriam ter sotaque nórdico, porém todos os adultos tem sotaque escocês!!! Puta coisa estranha, e é claro que as crianças do filme tem sotaque americano, mas não serei chato pra pentelhar sobre isso. Fica aí a dica de uma ótima animação.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Esquadrão Classe A (nota 8)

Sinceramente, não lembro nada desta séria dos anos 80. Eu nunca acompanhei, então nem vou tentar fazer nenhuma comparação. Mas o que posso dizer do filme é que ele é absurdo, impossível, exagerado e acima de tudo, incrivelmente divertido. Sério mesmo, é legal ver como os realizadores do longa sabiam que tinham um produto nas mãos que não precisa seguir nenhum padrão de realismo e abusaram das cenas absurdas e mirabolantes, mas tudo feito de uma forma que não se leva a sério demais, transformando a experiência em entretenimento puro.
Então prepare-se para acompanhar as missões do quarteto interpretado pelos atores Liam Neeson, Bradley Cooper, Quintom "Rampage" Jackson e Sharlto Copley. Os quatro tem uma química divertidíssima e funcionam perfeitamente como conjunto, sem destaque maio pra ninguém. O humor entre eles é constante, principalmente nos intervalos entre missões, mas quando a ação começa, por mais absurda que seja, eles sempre acham uma saída genial. Dou destaque especial para a cena retardada do tanque de guerra "voando". Quem viu sabe do que estou falando.

Certamente é um filme pra desligar o cérebro. Qualquer pensamento mais realista vai estragar a diversão. Portanto aproveite sem chatice que vale a pena.

Dupla Implacável (nota 7)

O grande problema destes filmes com nomes totalmente genéricos em suas traduções para português é que você não faz a menor idéia do que esperar, e as vezes pode acabar passando longe de algo interessante. Eu mesmo demorei bastante pra me convencer a alugar este Dupla Implacável (viu? nome genérico no melhor estilo Sessão da Tarde com seus Uma turma do Barulho, ou Deu a Louca...) e acabei me deparando com um filme interessante. Não é nada que vai mudar a sua vida, mas certamente vai divertir.
Este filme, escrito e apadrinhado por ninguém menos que Luc Besson, tem de ação constante e muita testosterona começa a ganhar velocidade muito rápido, não tem enrolação e logo já nos vemos em meio ao primeiro tiroteio. E acredite, o careca da foto é John Travolta, num dos papeis mais "Bad Ass" de sua carreira. Ele mata, espanca, explode, e ainda arranja um tempo pra uma trepada com uma francesa, ou seja, é um filme de ação pra macho. Seu parceiro novato, interpretado por Jonathan Rhys Meyers representa um lado mais ponderado da dupla. Apesar de parecer meio estranha, a dinâmica entre os dois funciona muito bem na tela.

A trama é passável. Não é nada novo, mas é suficientemente atraente pra te manter entretido. O momento "kinder ovo" do filme é bastante previsível, mas para um filme de ação pura tá bom demais.

sábado, 25 de setembro de 2010

Sessão da Tarde

A idéia deste post um pouco diferente do habitual deste blog me surgiu após alguns domingos que eu e a Ju começamos a rever filmes mais antigos, considerados "clássicos" por nós. E acabei percebendo que infelizmente é um pouco difícil rever filmes que eram idolatrados por nós na infância. São várias as emoções que isso pode provocar, seja alegria, saudade, frustração, etc. Mas vou explicar melhor isso com exemplo depois.

Todo mundo sabe que quando se assiste um mesmo filme pela segunda vez a experiência é totalmente diferente. Seja pelo fato de já se saber o que vai acontecer, seja pelo fato de não existir mais o elemento surpresa, ou por que prestamos muito mais atenção a pequenos detalhes que antes nos passaram desapercebidos, cada vez que repetimos um filme, muda a forma como o vemos. É óbvio que em casos extremos como ver Star Wars Episódio 5 - O Império Contra-Ataca pela 50ª vez dificilmente trará algo novo, mas nerd é nerd.
Mas aí você se depara com a oportunidade de rever um filme que faz pelo menos uns 15 ou 20 anos que não via. É aí que o bixo pega!! E recomendo muito cuidado ao escolher qual filme você escolheu pra matar a saudade, pois pode acabar arruinando a produção pra você pro resto da sua vida. Tá certo, estou exagerando um pouco, mas é quase isso.
Vou exemplificar melhor com as minhas próprias experiências. Numa noite de domingo resolvemos rever o incrível De Volta Para o Futuro. Por incrível que pareça fazia MUITO tempo que eu não via este do começo ao fim direto, e o filme continua incrível. Parece que ele não envelheceu nada, com exceção da música dos anos 80 e alguns poucos efeitos especiais datados, a experiência de revê-lo não poderia ter sido melhor, sendo que peguei alguns detalhes que nunca tinha percebido antes. É o resultado foi uma vontade incontrolável de rever as partes 2 e 3, que foram igualmente divertidas de rever.
Agora algo um pouco mais difícil foi ver Tron - Uma Odisséia Eletrônica. Eu adorava este filme, mas ele ficou muito datado. Não tem como não se sentir incomodado pelos efeitos digitais muito antigos. O enredo continua interessante, mas toda a tecnologia está tão diferente que fica complicado relevar. Algo parecido aconteceu com Os Goonies, mas problema não está no visual antigo, mas sim no enredo muito voltado para o público infanto-juvenil. Percebi que as situações eram tão bobas que não dava pra rever o filme sem ficar analisando a veracidade de tudo aquilo. É claro que quando criança eu idolatrava este filme, mas o fato de revê-lo agora estragou um pouco a lembrança que eu tinha dele. Porém mesmo que Tron e Goonies não tenham sido tão divertidos de rever, eles certamente trouxeram a lembrança de outros tempos mais fáceis e inocentes, e invariavelmente me peguei sorrindo.
Outro exemplo é o filme Karate Kid. Com o recente remake nos cinemas, alguns canais de tv a cabo reprisaram diversas vezes. Este já foi um pouco estranho, pois além de fazer muito tempo que não o via, hoje tenho conhecimento em treinamento de artes marciais que não tinha quando criança, então imaginei que odiaria a experiência. Porém, apesar de achar o visual do filme muito datado, a mensagem ainda é incrivelmente atual, e apesar dos treinamentos de combate do Sr. Miyagi serem fora do que se espera ver hoje em dia, o lado filosófico da arte marcial que ele passa é perfeito. Fiquei muito satisfeito em rever e perceber que este longa não foi a decepção que eu esperava encontrar.

E aí, o que acham? Alguém discorda, concorda? Achou tudo baboseira? Comente, ficarei feliz em saber outras opiniões.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

O Mundo Imaginário do Doutor Parnassus (nota 8)

Antes de mais nada vamos deixar uma coisa clara, este filme foi escrito e dirigido pela mente doentia de Terry Gilliam, o ex-Monty Python responsável por outras maluquices como Os 12 Macacos, Medo e Delírio em Las Vegas, Brazil - O Filme, Os Irmãos Grimm, entre outros. Só por isso é fácil perceber que o filme não vai agradar a todos, mas aqueles que encararem com mente aberta serão recompensados com muita originalidade e esquisitices que só Terry Gilliam pode conceber.
Porém, o lançamento deste filme ficou muito ofuscado e marcado pela morte do ator Heath Ledger, que faleceu antes de terminar as filmagens. Protamente alguns de seus amigos atores (Jonny Depp, Jude Law e Collin Farrel) se propuseram a terminar o filme completando as cenas que faltavam. Não sei exatamente o quando do roteiro foi modificado para incorporar estas mudanças de rosto ao enredo, porém tudo funcionam muito bem, sem parecer nada forçado.
O enredo é um pouco complicado de explicar, mas se trata de uma competição entre o Dr. Parnassus (excelente interpretação de Christopher Plummer) e o tinhoso Sr. Nick (Tom Waits em mais um papel bizarro) que disputam almas para vencer uma aposta. Não vou escrever mais nada pois quanto menos souberem, mas interessante fica a viagem por esta produção estranha mas muito divertida.

Os homens que não amavam as mulheres (nota 7)

É complicado escrever uma crítica de um filme baseado em um livro muito bom e muito detalhado. Apesar desta produção cinematográfica Sueca seguir à risca o texto de Stieg Larsson, é impossível adaptar para um longa de pouco mais de 2 horas toda a quantidade absurda de informações que são dadas sobre os personagens principais Mikael Blomkvist e Lisbeth Salander, e mais ainda sobre a investigação da família Vander e do crime que atormenta Henrik Vanger por 40 anos. Talvez se eu não conhecesse o livro, teria gostado mais do filme.

Mas o longa é muito interessante, o enredo continua cativante e o climão de suspense demora menos tempo pra te prender a atenção do que no livro, que enrola um pouco até engrenar. As atuações estão boas, mas o destaque vai para a atriz sueca Noomi Rapace que entregou uma Lisbeth exatamente como eu imaginava do livro. Vale a pena pra quem gosta de um bom triller de suspense.

Um remake hollywoodiano está vindo por aí, e será dirigido por ninguém menos do que David Fincher (Se7en e Clube da Luta, serve?).

Presságio (nota 3)

Quem aí gosta de ver filme ruim? Sabe aquele tipo de "guilty pleasure" que é ver um filme ruim, sabendo que vai ser ruim, e ainda assim ficar até o final só pra ver o tamanho da porcaria? Foi assim que me senti ao ver esta "jóia" com o ator Nicolas Cage, que nem sempre sabe escolher um bom roteiro pra trabalhar.

Esse filme mistura um pouco de tudo, fazendo o enredo uma salada que combina diversas fontes. Tem fim do mundo? Sim. Tem desastres naturais? Sim. Tem criança vendo espírito? Sim. Tem alienígena? Sim. Tem acidentes bizarros causando mortes? Sim. Tem muita computação gráfica para animar cenas de destruição? Sim. Tem mistério religioso? Sim. Ou seja, este só não é um filme de desastre maior do que 2012, como tenta misturar todos os temas de blockbusters descerebrados de verão numa tranqueira só.

Mas o grande problema do filme é que ele é cômico sem querer, pois se leva totalmente a sério, mas é impossível não ficar irritado com frases do tipo: "Como eu posso salvar o mundo?" ditas por um professor universitário. Pra não ser totalmente cruel, as cenas de acidentes com efeitos especiais estão muito caprichadas e são bem filmadas, mas é isso. Vejam por sua própria conta e risco.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Príncipe da Pérsia - As Areias do Tempo (nota 7)

Quando se trata de filmes baseados em jogos de videogames existe sempre o medo de ser mais um grande fiasco. Diferente das adaptações de quadrinhos, os produtores de jogos vendem os direitos sem ter muito controle sobre o resultado final da produção hollywoodiana, que em geral é totalmente deturpada por roteiristas ruins, diretores fracos e pressões do estúdio. FELIZMENTE em Príncipe da Pérsia, finalmente vemos uma adaptação digna da obra original (e um filme bem divertido), e quem sabe um novo rumo para os games nos cinemas.

A boa qualidade do filme começa pelo seu estúdio, e nada menos que a Disney assumiu a produção, claramente tentando achar uma franquia para substituir Os Piratas do Caribe. O estúdio não brincou com o potencial da franquia e garantiu um bom diretor, Mike Newel (responsável por Harry Potter e o Cálice De Fogo), um elenco recheado de bons atores de apoio (Ben Kingsley e Alfred Molina por exemplo), ótima trilha sonora, fotografia realmente incrível, cenários espetaculares e muita correria. A produção realmente enche os olhos e demonstra que tudo foi pensado com muito capricho.
Agora vamos às comparações com o material original. Os jogos do Príncipe da Pérsia deste o original sempre foram muito marcados pelos movimentos fluidos e acrobáticos do personagem principal, que são muito usados para resolver os quebra-cabeças que aparecem em seu caminho. Em versões mais recentes o combate ganhou muito destaque, também abusando das habilidades acrobáticas do Príncipe Dastan. E acreditem, tudo isso está muito bem colocado dentro do filme, nada foi deixado de lado. Com a ajuda de muito parkour, Dastan corre e salta das formas mais incríveis, e utiliza tudo isso nas boas lutas e nas rápidas soluções para sair das dificuldades em que se encontra. Fiquei muito impressionado e satisfeito com a forma que utilizaram todo o potencial acrobático do personagem.
Mas vamos com calma, nem tudo são maravilhas. Eu achei a montagem do filme um pouco estranha. Não sei se a edição com cortes muito abruptos para cenas meio sem conexão, com grandes saltos no tempo, me fizerem me sentir meio perdidos em alguns momentos sem saber se eu tinha dado uma cochilada e perdido algum detalhe. O roteiro também tem falhas, principalmente com a resolução final, que acaba muito facilmente aceita por todos os personagens. Li em outras críticas que não concordaram com a escolha de Jake Gyllenhaal para o papel principal, mas eu discordo. Gostei da versão dele para Dastan, e a química entre ele e Gemma Arterton como a Princesa Tamina, está muito boa apesar de parecer meio forçada no início.
Certamente é um filme divertido, com direito a muita ação de ótima qualidade e um visual incrível, se o roteiro fosse mais bem resolvido seria melhor, mas não vou ficar reclamando demais.

PS- Mais alguém notou uma cena durante a invasão da cidade uma cena em que Dastan está no alto de um prédio e a câmera gira em torno dele igualzinho ao jogo Assassin's Creed???

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Furia de Titãns (nota 6)

Vou começar dizendo que não lembro quase nada do Fúria de Titãns original de 1981, exceto que eu gostava muito e o considero um clássico da Sessão da Tarde, portanto não vou fazer nenhum tipo de comentário comparativo com seu atual remake. E a verdade é que este novo filme não é lá grande coisa, um blockbuster típico de verão americano, mas bem pouco refinado.

E eu diria que existem dois culpados pra esse filme não ser lá grandes coisas. A primeira é o roteiro. Foi dada tanta prioridade para as cenas de ação, que as poucas cenas onde há algum diálogo para permitir o desenvolvimento dos personagens e do enredo passam tão rápido que existem momentos que nos perdemos na história, pois uma abaixada pra pegar a pipoca é o suficiente pra perder a explicação do motivo da viagem dos heróis. O segundo culpado é o diretor Luis Leterrier, que apesar de saber muito bem filmar uma cena de ação, não tem qualidade nenhuma para dirigir atores e extrair deles boas atuações. Os diálogos são muito fracos, com muitas frases de efeito desnecessárias e cliché.

Sam Worthington está passável como Perseu, dentro do padrão brucutu de atuação. Ele tinha me surpreendido positivamente em filmes como Avatar e o Exterminador do Futuro - A Salvação, mas com roteiro fraco e sem uma boa direção, ele ficou bem sem graça e sem carisma. Sem contar que o corte de cabelo dele foi muito mal escolhido, não tem nada a ver com o resto do filme, onde todos os gregos tem cabelos longos.

Mas calma lá, também não vou só ficar falando mal do filme. Como mencionei, existem muitas cenas de ação, e elas são realmente muito boas, com lutas bem coreografadas e belíssimas cenas em computação gráfica. A aparição do Kraken é realmente incrível. O filme vale pela diversão fácil e desmiolada.

PS - mais alguém achou a armadura do Zeus parecida com a dos Cavaleiros do Zodíaco???

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Mary & Max (nota 9)

Mary e Max - Uma amizade diferente (subtítulo em português), uma produção Australiana que pode enganar muito num primeiro momento. Esta animação em stop-motion com bonecos simples e até certo ponto mal feitos, definitivamente não é para crianças, e na capa do DVD está estampada esta recomendação. Com um enredo forte, humor para adultos, e emoções fortes e verdadeiras que fazer esquecer que se tratam de bonecos, é difícil não se emocionar com esta história de amizade.

Mary é uma menininha australiana com sérios problemas de auto estima, sem amigos e com uma família distante que encontra no seu amigo por correspondência sua única forma de amizade, desabafo e fonte de respostas para dúvidas. Este amigo é Max, um homem de meia idade de Nova York, com sérios problemas de relacionamento com outras pessoas, e com distúrbios que o fazem não compreender o mundo a sua volta.

A amizade dos dois cresce conforme as cartas são trocadas, e acompanhamos o solitário diálogo escrito de ambos, criando cada vez mais uma empatia por esses adoráveis personagens incrivelmente profundos. A fotografia é espetacular. Como escrevi acima, até certo ponto parece ser mal acabado, mas no final se revela como uma escolha estética para a representação dos mundos de Mary e Max. Enquanto a Autrália de Mary tem tons marrons e laranja, a Nova York de Max é cinza e escura, com cores pontuais. Não se trata da mesma sofisticação da animação de Coraline ou do Fantástico Sr. Raposo, mas cumpre muito bem o papel.

Uma história realmente emocionante que não deve deixar de ser conferida pelos apreciadores do bom cinema. Duvido conseguirem segurar as lágrimas ao final do filme.

Uma Noite Fora de Série (nota 8)

Está aí um filme que cumpre exatamente o que é prometido no trailer e na capa. Simples e muito divertido, essa comédia de ação estrelada pela hilária dupla Steve Carell e Tina Fey vai te fazer rir com as piadas, com as situações estranhas ou com vergonha alheia, e até alguns momentos de muita ação e correria. Está tudo lá na quantidade certa, sem exageros.

O casal formado por Carrel e Fey é a melhor coisa do filme. Não acho que funcionaria tão bem se fossem outros atores. Os dois tem uma capacidade incrivel de improvisação e de fazer rir. A melhor prova sãos os erros de gravação exibidos após os créditos. Eles interpretam um casal que se coloca numa situação perigosa quando roubam a reserva de outro casal num restaurante em NY e são confundidos com bandidos. O elenco de apoio conta com bons nomes, em especial uma rápida e divertida participação de James Franco e Milla Kunis.

Para aqueles que procuram um filme para passar duas horas agradáveis e sem grandes compromissos, esse filme é a escolha certa.

Simplesmente Complicado (nota 6)

O trio principal que forma a espinha dorsal deste filme é sua grande atração. Meryl Streep, Alec Baldwin e Steve Martin estão incríveis em seus papéis, e a interação entre eles é muito divertida. O enredo trata de um casal divorciado (Streep e Baldwin) que se vê tendo um caso, mesmo que o marido tenha se casado novamente com outra mulher mais nova, e a esposa começa a se interessar por outro homem (Martin).

Não se trata de uma comédia romântica tradicional, tem algumas diferenças sutis, mas que no final acaba caindo no mesmo caminho das outras. Tem algum poucos momentos de dar gargalhadas, mas na maioria as situações cômicas são suaves, sobrando um pouco de espaço pro drama familiar. O filme agrada, mas não empolga.

O Primeiro Mentiroso (nota 7)

Ricky Gervais é a mente doentia por trás da criação do melhor seriado cômico da atualidade, The Office. Ele criou e estrelou a versão original inglesa da série, e é produtor da versão americana, que me faz ter dor na bochecha de tanto rir com as situações absurdas e com a vergonha alheia que acontecem no escritório mais improvável do mundo. Com isso em mente aluguei este filme onde Gervais dirige, escreve e atua, e até que me diverti bastante, mas não tanto quando o esperado.

O enredo trata de um mundo numa realidade alternativa onde os humanos nunca desenvolveram a habilidade de mentir. Todos dizem a absoluta verdade o tempo todo, não importa o quanto desagradável, rude ou constrangedor possa ser essa verdade, todos simplesmente cospem as palavras o tempo todo, mesmo que não seja nada perguntado. Porém quando o personagem de Gervais se encontra sem emprego e com sérios problemas financeiros, num instante ele desenvolve a habilidade de mentir, e como ninguém consegue identificar uma mentira, acreditam em tudo que ele diz, não importa o quando absurdo seja. É até esse momento no filme que surgem as melhores piadas e se trata de uma comédia pura. Porém, de um certo ponto pra frente o humor começa a dar espaço pro romance e até pro drama, e as mentiras começam a tomar um rumo muito perigoso.

Conhecendo o estilo de Gervais, eu esperava um filme um pouco diferente do que ele realmente é, mas de um modo geral é muito melhor do que muitas comédias bobas que são lançadas atualmente. As gargalhadas acontecem na maioria na primeira metade do filme, perdendo força na segunda, dando lugar a uma comédia romântica.

A Estrada (nota 7)

É complicado comentar uma adaptação de livro. Todas as adaptações para o cinema sempre perdem algum, ainda mais quando se trada de uma adaptação de livro. Fica ainda mais complicado quando o livro ainda está fresco na memória, e foi isso que me atrapalhou para ver este filme. Eu o ví apenas 2 dias após terminar de ler o excelente livro homônimo de Cormac McCarthy. Talvez eu tivesse gostado mais se não conhecesse o livro, então infelizmente minha crítica vai ficar muito baseada na comparação das duas mídias.

A Estrada se trata de um filme pós-apocalíptico de sobrevivência humana. Mas não é uma sobrevivência onde há alguma esperança do reaparecimento da humanidade. Esta esperança já desapareceu muito antes de começarmos a acompanhar a sobrevivência de um homem e seu filho, que nasceu após a destruição do mundo e só conhece aquela paisagem cinza e sem vida. O homem protege o menino de tudo, pois ele é sua única razão para persistir nessa sobrevivência teimosa.

Enquando no livro acompanhamos dia a dia a viagem dos dois para o sul tentando fugir do frio, numa lenta viagem explorando cada lugar que possa oferecer abrigo e mantimentos para sobrevivência, no filme tudo acontece muito rápido. Perde-se a sensação de aprendizado do menino. E os encontros com outros humanos "do mal" são adiantados em nome de um melhor ritmo para o filme. Entendo a necessidade disso, pois se fosse exatamente como no livro, ninguém aguentaria acordado a primeira meia hora. Mas mesmo assim, entendo que foi uma ótima adaptação para as telas.

O elenco é pequeno. Em 90% do tempo de tela temos somente o homem, em mais uma ótima interpretação de Viggo Mortensen, e o menino, em boa interpretação do desconhecido Kodi Smit-McPhee. A fotografia retrata muito bem a descrição do livro, com muito cinza, destruição e corpos espalhados pelo caminho dos viajantes. Só achei que faltou mais neve nos cenários. Em comparação a outro filme pós-apocalíptico recente, O Livro de Eli, este não tem ação nem vilões tradicionais, mas é uma ótima história de sobrevivência.

Tá rindo do quê? (nota 4)

Judd Apatow surgiu como o novo rei da comédia de Hollywood com o ótimo Virgem de 40 anos, e desde então emendou um novo sucesso após o outro, seja como diretor, escritor ou produtor de seus filmes. Porém em Tá rindo do que?, dirigido e escrito por Apatow, ele errou feio na mistura de humor e drama, resultando no seu pior filme até o momento.

Estrelado por Adam Sandler e Seth Rogen o filme trada de um comediante de sucesso no cinema e nos palcos de stand-up (Sandler) que está com uma doença incurável e se vê a beira da morte. E ele é na vida real totalmente diferente do que demonstra nos seu trabalho no mundo da comédia. Solitário, grosseiro, sem tato nenhum com pessoas, ele contrata um assistente e aspirante a comediante (Rogen) para organizar sua vida até o momento de sua morte. Porém uma cura alternativa pode mudar tudo.

E aí que o filme se perde. Enquanto os rápidos flashes dos shows de stand-up são muito engraçados, o resto do filme é meio deprimente e chato, com um baita de um desvio da comédia nos últimos 30 min de filme. Parece até que emendaram dois pedaços de roteiro diferentes num só. Só sei que não funcionou muito pra mim, fique com as outras comédias do diretor, como Segurando as Pontas e Ligeiramente Grávidos.

A Caixa (nota 6)

Cuidado ao tentar ver este filme. Não é um filme fácil de ver, é muito estranho, confuso e não trata o espectador como burro explicando tudo da forma mais mastigada possível. E na minha opinião está aí o seu grande mérito. Mais uma obra estranha do controverso diretor / escritor Richard Kelly, responsável pelo estranho mas divertido Donnie Darkko, e pelo estranhíssimo - e chato - Southland Tales, e este filme não foge do estilo do diretor.

Podemos dizer que este filme de mistério / ficção científica / triller psicológico tem muito mais história escondida do que é realmente mostrado, mais ou menos como a série LOST. E enquanto ficamos esperando que tudo seja revelado, o filme toma um rumo muito diferente e sobram dúvidas e explicações não resolvidas. E com isso, podem surgir inúmeras discussões filosóficas que não vou começar a escrever pra não estragar a surpresa de quem quer ver o filme.

Com um bom elenco e boas atuações (Cameron Diaz, James Marsden e especialmente do Frank Langella) este filme bizarro pode agradar a alguns, ou mais provavelmente pode irritar a grande maioria do publico que só quer uma diversão mais fácil. Mérito do diretor em ser macho o suficiente pra bancar este filme vindo de sua mente perturbada.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

A Origem (nota 9)

Este filme me dá um nó na cabeça. E não é confusão causada pelo ótimo e original enredo escrito pelo brilhante diretor e escritor Christopher Nolan. O problema vem justamente da incrível expectativa que eu tinha sobre esse filme após os intrigantes trailers que divulgavam pouquíssima informação, nos brindando com cenas estranhas e fantásticas. A expectativa era tanta quem eu nem tinha visto o filme e já estava dando nota 10 para ele, e mesmo que a nota 9 seja ótima, isso demonstra que não correspondeu a tudo que eu esperava. Não me entenda mal, é um puta filmaço legal pra cacete, mas é muito difícil fazer frente a expectativa criada... fazer o que?
Cobb e Arthur, muito bem interpretados com a competência habitual por Leonardo DiCaprio e Joseph Gordon-Levitt, são ladrões especializados em roubar informações entrando no sonho das pessoas. E isso é tudo que vou dizer a respeito do enredo, quanto menos souber mais interessante fica o filme, conselho de amigo. E é justamente desses mundos de sonhos que surgem as situações estranhas em lugares fantásticos que desafiam as leis da física. É aí que fica minha única crítica ao filme. Já que se trata de um mundo onde tudo é possível, o mundo é muito certinho. Faltam mais imagens bizzaras e situações absurdas que geralmente povoam nossos sonhos. Mais parece um passeio na Matrix do que num mundo onde tudo vale. Mas essa foi a opção do roteiro, então vamos em frente. O resto do filme tem o estilo de filmes de roubo, com muito planejamento e é claro, execução do roubo em sí.
O elenco está recheado de rostos conhecidos,como Ellen Page, Cillian Murphy, Tom Berenger, Marion Cotillard, Michael Cane, Ken Watanabe, todos muito bem em seus papeis. A direção sólida de Nolan, a contagiante trilha sonora e o enredo complicado, mas muito bem amarrado, prendem a atenção o tempo todo. Não dá pra desgrudar os olhos da tela até o clímax final, que vai se esticando conforme todas as peças vão se encaixando. São quase 2:30h de filme que passam voando. A última cena do filme é impagável, daquelas de deixar todo o cinema comentando durante os créditos.

Um dos melhores filmes do ano sem dúvida, não pode deixar de ser visto por nenhum apreciador de bom cinema, de uma originalidade e criatividade de primeira linha. Mais um presente do Nolan, que já nos trouxe outras incríveis obras como Batman Begins, Batman - Cavaleiro das Trevas, O Grande Truque e Amnésia.

P.S.- Vimos este filme numa pré-estréia exclusiva graças a uma promoção que ganhei no site do www.omelete.com.br. Agradeço ao Omelete por essa oportunidade.

Ilha do Medo (nota 10)

É difícil Martin Scorsese decepcionar, e depois de ganhar o Oscar com o excelente Os Infiltrados, a expectativa era grande. E ele não decepcionou. Ilha do Medo é um incrível triller psicológico que faz até o espectador duvidar de sua própria sanidade.

Teddy e Chuck, interpretados por Leonardo DiCaprio e Mark Ruffalo respectivamente, são dois detetives que vão até a ilha Shutter, uma pequena ilha que serve de hospital psiquiátrico, para investigar um misterioso desaparecimento de uma das pacientes. Durante sua investigação, o Dr. Cawley, interpretado por Ben Kingsley, os auxilia mas ao mesmo tempo parece esconder informações importantes, levantando ainda mais suspeitas.

As interpretações estão excelentes, com destaque para DiCaprio. Faz tempo que ele está merecendo um Oscar, e sua interpretação neste filme somado ao A Origem, devem render uma indicação. A direção está na medida certa, e um enredo bem construido, sabendo nos intrigar, nos confundir e em momentos questionar a própria sanidade, faz deste um dos melhores filmes do ano.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Alice no País das Maravilhas (nota 6)

Sabe aquele tipo de filme que antes mesmo de vê-lo você quer gostar dele, e durante o filme você se esforça pra continuar tentando gostar dele, mas que no final das coisas, algo nunca permite que você finalmente esboce um sorriso? Poisé, foi assim que me senti durante a estréia de Star Wars Episódio I - A Ameaça Fantasma. Todo o meu fanatismo e minha nerdisse me obrigavam a gostar do filme, mas no final das contas, foi uma bosta. Em Alice no País das Maravilhas foi quase isso, obviamente que guardadas as devidas proporções e fanatismos nerds à parte.

Eu gosto muito da maioria dos filmes do cineasta Tim Burton, mas não sei o que aconteceu aqui. Das marcas registradas do diretor tudo está presente: o tradicional visual sombrio, com arvores retorcidas, roupas coloridas e excêntricas, presonagens esquisitos, Helena Bonham Carter, Johnny Depp e a trilha sonora de Danny Elfman. Porém o mais importante de um bom filme, que é o roteiro, é muito fraco e força situações que não condizem com o que eu esperaria de um filme baseado na personagem de Alice. Só pra deixar claro, o filme não é exatamente uma refilmagem da clássica animação da Disney, mas sim uma "quase" continuação.
Não me entendam mal, não estou dizendo que odiei o filme, pois o mesmo tem qualidades ótimas, como o incrível visual deste mundo estranho. Porém achei um pouco exagerado o uso de animação por computador, e também achei alguns ângulos de câmera muito forçados, talvez por causa do 3D (vi em 2D mesmo). Mas o enredo é muito fraco, até o sempre competente Johnny Depp está meio sem graça. É isso, sei que o filme teve uma arrecadação absurda, mas não entendo de onde veio tanto fanatismo pelo filme.