quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Kill Bill (nota 10)

Sendo fã dos filmes de Tarantino, estava devendo aqui no blog uma crítica do meu filme favorito do cineasta, o épico de vingança Kill Bill, composto por dois filmes, Volume 1 e 2. Antes que alguém comece a atirar pedras em mim por causa do Pulp Fiction, eu tenho uma explicação bem plausível para isso (e acreditem, a vergonha que passarei após essa confissão será gigante). Eu nunca ví Pulp Fiction... pronto falei... Sei que é estranho alguém que se diz fã de Tarantino nunca ter visto Pulp Fiction, mas não foi por falta de tentativa, toda vez que tentei ver este filme alguma coisa sempre acabava me impedindo graças a coincidências cósmicas inacreditáveis. Mas fiquem tranquilos, vou remediar este erro em breve. Enquanto isso, Kill Bill ainda é meu favorito.

Não sei dizer ao certo qual característica de Kill Bill é a que mais me impressiona. Quando vejo estes filmes não consigo deixar de apreciar o conjunto da obra, que é uma grande coletânea de todas as influências do diretor, desde o western até os filmes de samurai. Muitos críticos já fizeram esta comparação, e ela não deixa de ser válida, enquanto Bastardos Inglórios é um western de IIª Grerra, Kill Bill é um "western samurai". A busca por vingança d'A Noiva passa por capítulos, cada um com suas características e influências, e seus próprios personagens memoráveis. E todos os elementos, mesmo os bregas e exagerados, são perfeitamente encaixados no enredo, é impossível não se divertir com a violência ultra-estilizada com direito a chafarizes de sangue e pitadas de humor negro.
Existem ótimas cenas de ação, com incríveis lutas de espadas lindamente coreografadas no Vol. 1, exigindo toda a habilidade atlética de Uma Thurman (e sua dublê, obviamente). O treinamento com Pai Mei, outro personagem memorável, é um show à parte no Vol. 2. E como de cosutme, todas as cenas são embaladas por músicas perfeitamente escolhidas. É normal ouvir uma ótima trilha sonora nos filmes de Tarantino, mas aqui essa simbiose entre a música e a imagem atinge um outro nível. Quem diria que uma luta de espadas samurai de vida e morte poderia combinar tanto com uma música disco (Don't let Me Be Misunderstood - Santa Esmeralda)? E o maldito assobio da Twisted Nerve que gruda em seu cérebro por horas depois?
Mas tudo isso não passa de ótimos adicionais perto do que Tarantino sabe fazer de melhor. Os diálogos! Novamente ele consegue extrair ótimas atuações de seus atores, e graças a ótimas falas e ótimos diálogos, todos se saem muito bem, até mesmo a Uma Thruman (que aparentemente só sabe atuar nos filmes de Tarantino) está muito bem. Toda a conversa final entre A Noiva e Bill é espetacular, recheada de referências nerds. Aliás, a nerdisse do diretor é escancarada logo na primeira imagem do Vol. 1 quando ele grava na tela a frase: "A vingança é um prato que se come se come frio - Provérbio Klingon".
Resumindo, aqueles que eventualmente se apegam à "violência" do longa para não se deixarem encantar por um ótimo e divertido filme, pensem melhor e tentem enxergar a estilização por trás de tudo isso. Não tenham dúvida, até os mais bizarros "erros" no filme provavelmente foram cuidadosamente planejados. Se alguém se lembra, em A Prova de Morte o câmera chega a tropeçar durante um close-up. Genial!

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Duna (nota 3)

Sou um grande fã ficção científica, não só de filmes e séries, mas principalmente de livros. Gosto muito de ler, e sei que é vergonhoso alguém que se descreve da forma que escrevi acima nunca ter lido Duna de Frank Herbert, uma das mais conceituadas obras de ficção científica da literatura. Para reparar isso, pedi e ganhei o livro de presente no meu aniversário, e após alguma enrolação para começar a ler, não consegui mais desgrudar do livro. Hoje mesmo terminei a espetacular leitura, adorando cada página lida, e por pura curiosidade de saber como foi a adaptação para o cinema, ví o filme Duna (1984) dirigido pelo estranho David Lynch. A experiência não poderia ter sido pior, infelizmente.
É óbvio que não podemos comparar uma adaptação cinematográfica com o livro original. Tenho plena consciência que muitas alterações tem que ser feitas, não é a toa que se chamam adaptações. Porém existem formas certas de se fazerem estas adaptações de um jeito que não desrespeite a obra original e não desagrade aos fãs. Um dos melhores exemplos é a trilogia Senhor dos Anéis que fez enorme sucesso no cinema, ou mesmo Watchmen, que foi incrivelmente fiel, mas foi obrigado a fazer uma alteração gigantesca na sua conclusão em nome da narrativa nas telas, e que particularmente me agradou bastante. Em Duna, a adaptação falhou miseravelmente por duas razões: uma foi a cópia extremamente fiel de certas passagens, que não funcionam tão bem na tela, ficando muito aquém  da forma que são ótimas nas páginas e na imaginação do leitor. A outra foi a exclusão de passagens importantíssimas que mostram crescimento do personagem Paul Muad'Dib, e os motivos pelo qual ele é considerado um grande guerreiro e se torna o grande líder dos fremen. Além disso, a inclusão no filme de uma arma controlada pela vóz tirou todo o charme das lutas corporais com facas no livro. Muitas passagens do livro são pensamentos complexos e visualizações de pequenas nuances, ou previsões complexas de futuros, fruto de consciências elevadas pela especiaria, e a inclusão destes pensaments na forma de narrativa faz o filme parar, além de ser muito estranho.
Mas não é só isso. O filme envelheceu muito mal, ficou extremamente datado. São várias coisas de denunciam esse problema, sendo o principal problema os péssimos efeitos especiais datadíssimos. As montagens das espaçonaves em suas viagens espaciais e o design das mesmas é horroroso para os padrões de hoje, juro que tentei me desvenciliar dessa visão atual, mas foi impossível. A trilha sonora não ajuda nada também. Além disso as atuações estão muito ruins, me senti vendo novela mexicana em diversos diálogos. A montagem do filme ficou muito estranha, além das passagens importantes do livro suprimidas, muitas cenas foram coladas uma numa sequência que não faz sentido, apressando demais o ritmo do filme.
Resumindo, se você nunca viu o filme, não vai fazer falta. Mas se quer conhecer uma história incrível num universo detalhadíssimo e que te suga para dentro, fruto de uma imaginação comparável à de Tolkien, não deixem de ler o livro.

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Super (nota 5)

Alerta: esse filme não é para qualquer pessoa. Somente aqueles com um senso de humor bastante doentio conseguirão apreciar esta estranhíssima comédia. De todas as pessoas que conheço que talvez acompanhem este blog, somente imagino três que consigam entender o humor negro bizarro da película. Sim, estou falando de vocês, Ricardo, Fabio e Paulo, mentes doentias como a minha que conseguiriam achar graça nisso.
Frank D`Arbo (Rainn Wilson) é um homem pacato e religioso, um cozinheiro de um restaurante decadente que perde sua esposa (Liv Tyler) para um figurão mafioso (Kevin Bacon). Após receber uma mensagem de Deus num sonho, onde ele abre seu crânio e toca seu cérebro com o dedo, ele decide combater o crime como Crimson Bolt. Sua arma? Uma chave de grifo que ele usa para arrebentar a cabeça dos criminosos gritando sua frase de efeito: Shut Up Crime! (Cale a boca Crime). Durante sua luta ele conhece a jovem Libby (Ellen Page) que se torna sua ajudante mirim.
A descrição acima pode fazer parecer um filme bobo de super herói, mas não é tão simples. As cenas são bizarras e grotescas ao mesmo tempo. Por achar que se trata de uma comédia, a primeira cena sangrenta assusta, mas depois se torna comum no filme. O personagem Frank D`Arbo parece ter sido escrito para Rainn Wilson, pois ele é tão extremo e estranho quanto o Dwight Schrute de The Office. Ellen Page nunca esteve num papel tão estranho, mas que estranhamente combina muito bem com ela, e ambos protagonizam a pior cena de sexo da história do cinema.

Fica novamente o alerta, não é um filme para qualquer um.

Sexo Sem Compromisso (nota 6)

As “dramédias” românticas têm normalmente um roteiro padrão obrigatório, uma forma de contar a história de forma muito previsível como todos os outros filmes deste estilo, e Sexo Sem Compromisso não é diferente. Tem a fase do casal se conhecendo, a fase da vida feliz juntos, a fase da briga e da separação e a fase final da reconciliação, sem novidades.
O que faz um filme ser levemente diferente do outro se deve principalmente ao casal de atores principais e da qualidade das cenas cômicas. E felizmente este filme se sai bem nesse quesito. A química entre Ashton Kutcher e Natalie Portman é muito boa e convincente. Kutcher está bem no seu papel padrão de interpretar a si mesmo, e Portman dificilmente erra num papel.
Algo que me surpreendeu a princípio foi descobrir que o filme foi dirigido por Ivan Reitman, o mesmo de Caça Fantasmas. Me surpreendeu negativamente a princípio pois os primeiros 20 minutos de filme são conturbados e mal editados, numa montagem estranha que mostra flashbacks desnecessários que não acrescentam nada ao filme, e quase me fez desistir. Mas depois disso ele pega no tranco e até apresenta boas situações cômicas no estilo de Reitman, que resultam em leves e boas risadas.

Resumindo, filme água com açúcar que entretém num momento sem inspiração, rapidamente esquecido. Uma dramédia muito boa que foge do estilo padrão com muita qualidade é 500 Dias Com Ela, que recomendo sem dúvida.Esse sim merece ser sempre lembrado.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Blade Runner – Final Cut (nota 10)

Sempre gostei de Blade Runner, mesmo quando criança que vi o filme original dublado na Globo e não entendi porcaria nenhuma. Meu gosto por ficção científica já tomava forma graças a Star Wars e a Star Trek (culpa da minha mãe), então mesmo não entendendo muito o conceito de Blade Runner, gostava bastante.

Mas hoje, com outros olhos e após alguma pesquisa, sei que o original (de 1982) tinha muitos defeitos, por culpa de imposições do estúdio, alterando a obra do que tinha sido pensada por Ridley Scott. Ao longo dos anos o diretor Ridley Scott alterou o filme diversas vezes, são sete versões ao total se não me engano, esta versão de 2007 recebeu o carimbo de Final Cut, ou seja, provavelmente é a versão definitiva de como o diretor sempre imaginou a sua obra, e sem dúvida é a melhor de todas.
Fiquei feliz em ver que o filme continua muito atual e não envelheceu nada. Mesmo os efeitos visuais, que foram “limpados” mas não refeitos para esta edição final em Blu-Ray, não parecem datados e combinam com a obra noir definitiva do cinema. O áudio melhorado também está impecável, e a incrível trilha sonora de Vangelis soa melhor do que nunca. Outra coisa que mostra como o filme continua atual é como foi retratada a cidade de Los Angeles do futuro. As ruas apinhadas de pessoas de todas as nacionalidades, em sua maioria chineses, foi uma visão do futuro muito válida ainda para os dias de hoje.
Mas ainda tenho uma dúvida após esses anos todos: por que diabos o subtítulo Caçador de Andróides foi dado no Brasil? Não existe nenhum andróide ou robô na história. O personagem principal Rick Deckard, mais um papel imortalizado por Harrison Ford ao lado de Han Solo e Indiana Jones, é um caçador de REPLICANTES, seres de carne e osso criados geneticamente para executar funções perigosas ao ser humano. E aí fica a grande discussão filosófica do filme, por que um ser de carne e osso consciente de si, com emoções e memória, só por ter sido criado em laboratório pode ser abatido sem ser considerado assassinato? Talvez a culpa deste subtítulo venha do conto original de Philip K. Dick intitulado Do Androids Dream Of Electric Sheep?.
O climão noir dado pela música e pela fantástica iluminação permanecem o mesmo. Mesmo se tratando de um filme futurista, que sabemos ter sido filmado numa época facilmente reconhecível pela moda exagerada, o filme parece ter sido filmado ontem, permanecendo relevante e cerebral. Eu nunca consegui chegar numa conclusão sobre a dúvida que sempre fica na cabeça de todos, Deckard é ou não um replicante? Só sei que a fala final de Roy Batty, o replicante que não quer morrer impecavelmente vivido por Rutger Hauer é de dar arrepios:
"Eu ví coisas que vocês não acreditariam. Naves de ataque pegando fogo no ombro de Orion. Eu vi raios-C brilharem no escuro perto dos portões de Tannhäuser. Todos esses … momentos estarão perdidos no tempo, como lágrimas … na chuva. Hora de morrer."

A Vida de Brian (nota 9)

Brian: “Eu não sou o messias”
Multidão: “Somente o verdadeiro messias nega sua divindade”
Brian: “Está bem, então eu sou o messias”
Multidão: “ELE É O MESSIAS, LOUVADO SEJA”

Em A Vida de Brian, o segundo filme da trupe de comediantes ingleses Monty Python, conhecemos Brian, um homem que diversas vezes em sua vida foi confundido com Jesus. Não é a toa, afinal ele nasceu na manjedoura vizinha a de Jesus, e até mesmo chega a receber os três presentes dos três reis magos por engano.
Esse filme é bem mais contido do que Em Busca do Cálice Sagrado. Ele tem uma história central mais contínua, sendo menos surtados que o primeiro filme, mas ainda assim hilário. Não é um festival de risadas como no primeiro, mas ainda assim é muito melhor do que muita “comédia” lançada atualmente.
Como fica óbvio pela descrição do primeiro parágrafo, depois de satirizar e destruir a figura histórica do Rei Arthur, o alvo agora é a religião e o período histórico quando viveu Jesus. Os devotos mais preocupados podem ficar tranqüilos, apesar de a idéia original do Monty Python ser satirizas diretamente Jesus, no produto final nada é dito a seu respeito, e todas as piadas acontecem com Brian, que ao final obviamente acaba sendo crucificado.
As piadas são muitas: a multidão que começa a seguir cegamente qualquer um que se proclame o messias, os guardas romanos que corrigem o latim errado das pichações anti-romanos, as frentes revolucionarias de libertação do povo judeu que mais fazem reuniões e votações do que agem em nome do seu ideal, o bom homem que ao ajudar um condenado a carregar sua cruz é crucificado em seu lugar, as mulheres disfarçadas com barbas para poder participar de apedrejamentos, o Pôncio Pilatos hilário com seu problema de fala, junto com seu amigo Bigus Dickus com língua presa, entre diversos outras memoráveis.  

Após todas as piadas, bizarrices e ofensas que vemos na tela, a melhor mensagem fica para o final:
“You should always look on the bright side of life”

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

*TOP5! Melhores Vilões do Cinema

Já fazia algum tempo que não escrevíamos uma listinha aqui no blog, e esse tema eu já tinha em mente e estava melhorando a lista, o que não foi fácil. Afinal muitas vezes os vilões dos filmes são mais memoráveis que os heróis. E todo bom filme tem que ter um bom vilão, é ele que engrandece as ações dos heróis. Então seguem os cinco melhores, seguidos da lista de menções honrosas.

5º Lugar: BIFF TANNEN (trilogia De Volta Para o Futuro)
 - Ele conseguiu aporrinhar a vida da família McFly por anos, gerações, mas sempre teve um encontro marcado com uma pilha de esterco.

4º Lugar: O CORINGA (Batman: O Cavaleiro das Trevas)
- Heath Ledger entregou o Coringa definitivo em Cavaleiro das Trevas. Um vilão cruel e sádico, cujo único objetivo é ver o mundo pegar fogo.

3º Lugar: LORD VOLDEMORT (série Harry Potter)
- Um vilão tão temido que seu nome não pode nem ser pronunciado. Apenas a possibilidade de seu retorno causou terror nos bruxos por três filmes, quando finalmente se revelou no quarto, para então começar uma guerra.

2º Lugar: Dr. Evil (série Austin Powers)
- Quem não reconhece a referência de uma risada malvada com o dedinho na boca? Ou cantou a versão enrolada de What If God Was One Of Us? Ou pediu por um porrilhão de dólares de resgate? Ou ficou emputecido por não ter seus tubarões com laser na cabeça? Esse é o espetacular Dr. Evil, vilão criado por Mike Myers que é infinitamente mais memorável que o seu antagonista Austin Powers.

1º Lugar: DARTH VADER (Star Wars)
- Ele é o ultimate bad ass do universo. Aquele que nos ensinou que não se deve brincar com um Lord Sith. Ele tentou e conseguiu matar seu mestre, tentou corromper seu próprio filho, e como chefe é mais assustador ainda pois qualquer erro ele te mata. The one, the only, Darth Vader. (por favor, estou falando do Vader da trilogia clássica, episódios 4, 5 e 6, não aquela porcaria dos episódios 1, 2 e 3).

Menções Honrosas
AGENTE SMITH (Trilogia Matrix): Se tem um vilão que te faz começar a correr imediatamente para o outro lado, é ele.

- SAURON (trilogia Senhor dos Anéis): Apenas sua presença é sentida, sem nunca ser personificado, e ainda assim muitas vidas foram perdidas para que não houvesse a possibilidade de sua volta.

- KHAN NOONIEN SINGH (Star Trek: A Ira de Khan): Vingança é sua motivação, e para se vingar do Cap. Kirk ele chega até a criar um planeta inteiro.

- ZÉ PEQUENO (Cidade de Deus): Dadinho o caralho meu nome é Zé Pequeno.

- T-1000 (Exterminador do Futuro 2): O que fazer quando nem balas param o vilão? O assustador monstro de metal líquido continua seguindo em frente com o único objetivo de matar seu alvo.

- JACK TORRANCE (O Iluminado): Quando a loucura é influenciada por fantasmas e faz com que você corra atrás da sua própria família com um machado, as coisas não vão bem.

- HANS GRUBER (Duro de Matar): Não basta o vilão querer roubar uma empresa internacional, ele também tem que fazer o FBI de trouxa.

- COL. HANS LANDA (Bastardos Inglorios): O que dizer de um nazista caçador de judeus que consegue ser ao mesmo tempo encantador, amigável e culto, mas logo em seguida enforca com as próprias mãos a sua vítima?

- MAJOR ROCHA (Tropa de Elite 2): Para ele te fazer sorrir, você precisa primeiro fazer ELE sorrir. Ele conhece os caminhos obscuros do sistema, e vai se aproveitar disso.

- DOLORES UMBRIDGE (Harry Potter): Voldemort pode ser o mais temível da série, mas ninguém é mais odiável, detestável e irritante que Umbridge.

- HAL 9000 (2001 Uma odisseia no espaço): Um computador que controla todos os sistemas de suporte de vida de uma nave que decide matar todos os humanos à bordo

- CAP. BARBOSA (Piratas do Caribe): Um capitão amaldiçoado que aceita negociar, mas que nunca deixa de ser um pirata sádico com senso de humor doentio, pesonagem quase tão bom quando Jack Sparrow.

- HANNIBAL (Silêncio dos Inocentes): Não tem nem o que falar do canibal preferido de todos, certo?

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Piratas do Caribe: Navegando em Águas Misteriosas (nota 6)

Jack Sparrow é um personagem incrível. Sua construção foi tão perfeita pelo sempre competente Johnny Depp que, após o término desastrado da primeira trilogia de filmes Piratas do Caribe no cinema, o único motivo para que uma nova série  de filmes fosse começada era Jack Sparrow. E após o desastre que foi o terceiro filme, foi bom voltar a ver uma aventura simples e divertida, apesar dos pequenos erros.
Em Navegando em Águas Misteriosas, logo de cara encontramos o pirata favorito de todos preso em Londres, e a cena de sua fuga nos lembra da genialidade que existe por trás daquela constante aparência bêbada. Ele então reencontra um antigo caso amoroso, Angelica Malon (ótima adição à série em interpretação de Penelope Cruz), e entra para a tripulação do temível Barba Negra (interpretado por Ian McShane, e não pelo Seu Madruga) na busca pela fonte da juventude. Além de Sparrow outros conhecidos dão as caras, como o Sr. Gibbs e o ótimo Capitão Barbosa (do sempre competente Geoffrey Rush).
Os produtores aprenderam com seus erros passados e produziram uma aventura simples, sem uma história desnecessariamente complicada, com começo, meio e fim, lembrando muito o primeiro filme. Obviamente que Sparrow tem o maior tempo de tela, e ele continua ótimo. Angélica, o interesse romântico de Sparrow, é quase a versão feminina de Sparrow, tendo acrescentado muito à trama. O humor continua no mesmo nível de antes, e as cenas de ação muito bem feitas.
O grande defeito do filme é o vilão Barba Negra. Depois da série ter apresentado vilões excelentes como o Capitão Barbosa e o tentaculoso Davy Jones, o Barba Negra simplesmente não inspira o terror que teoricamente deveria. Além disso existe toda uma trama paralela envolvendo o romance entre um religioso e uma sereia que toma muito tempo desnecessário do filme.

De um modo geral o filme agrada quase tanto quanto o primeiro, mas devido aos seus defeitos não consegue chegar no mesmo nível.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

A Ressaca (nota 4)

A sucesso da ótima comédia Se Beber Não Case acabou influenciando e ajudando outras "parecidas" a saírem do papel, o que é o caso neste A Ressaca (Hot Tub Time Machine, título original). Mas mesmo para fazer comédia na base da baixaria é necessario qualidade de roteiro, não basta jogar um monte de piadas sujas regadas a muito palavrão para  fazer rir. E risadas foi o que menos dei nesse filme, infelizmente.

O enredo é bobo, mais um daqueles filmes que os personagens voltam no passado com uma chance de refazer uma parte suas vidas, e aqui os quatro personagens principais voltam para o ano de 1986, então mais uma vez temos a exagerada década oitentista retratada em toda a sua breguice visual e musical. O enredo cai nos tradicionais defeitos e clichés de filmes com viagem no tempo, então nada de surpresas.
A única coisa legal do filme foi a homenagem prestada a alguns atores que ficaram esquecidos no cinema, mas que tiveram seus dias de glória nos anos 80. As mais óbvias são o comediante Chavy Chase e Crispin Glover, o George McFly de De Volta para o Futuro. O mais assustador foi reconhecer o ator William Zabka, cujo nome eu não conhecia até pesquisar para escrever esta resenha, que foi o Johnny Lawrence da Kobra Kai, que lutou a final do torneio de Karate Kid original contra Daniel-san!!!

Eu sempre digo que uma comédia que não fazer rir é uma péssima comédia, e esse é o caso de "A Ressaca".

domingo, 21 de agosto de 2011

Padre (nota 4)

Um filme de ação genérico com uma história que seria interessante demais se não tivesse sido contada às pressas. Infelizmente é assim memso que defino esse filme, que teria um ótimo potencial para ser uma ótima obra de ficção, mas que prefere valorizar cenas de ação carregadíssimas em efeitos digitais. O que salva é a ótima cosntrução de um mundo interessante, mas mal aproveitado no filme, que lembra muito o mundo de Juiz Dredd.
Neste universo, a humanidade sempre esteve em guerra com os vampiros, criaturas selvagens que lembram animais descerebrados, que não podem sair na luz do sol. Quando os humanos estavam quase perdendo a guerra, a Igreja criou a Ordem dos Padres, pessoas treinadas na arte do combate extremo contra os vampiros. Essa ordem de guerreiros (Jedis??) coseguem virar a guerra a favor dos humanos, mas acabam reduzindo o planeta a um grande deserto devastado, onde os humanos vivem em cidades muradas aos cuidados da Igreja. Mas a ameaça vampírica que se julgava extinta volta, e mesmo sem a aprovação da Igreja, o Padre vivido por Paul Bettany (canastríssimo) arrisca sua vida para salvar os humanos novamente.
Beleza, hora de começar a descer a lenha no filme. O enredo entrega praticamente na primeira cena a "grande surpresa" que será revelada no meio do filme. E de que adianta criar um universo interessantíssimo e cheio de possibilidades se o enredo passa correndo pelo que deveria ser o aprofundamento nesse universo somente para entregar cenas desconexas e descontínuas e com péssimos diálogos para privilegiar as cenas de ação? Tudo bem que essas cenas de ação ficaram bem interessantes, mas por que diabos a cada 5 falas os roteristas incluiram 4 frases de efeito bobas? Acho que não tenho mais idade para esses filmes, tenho certeza que a uns 15 anos atrás eu teria gostado muito, mas hoje não dá.

Sobrenatural (nota 6)

Uma boa pedida para quem gosta de um filme de terror razoavelmente decente, que tem algumas pequenas ideias originais que o afastam do lugar comum desse gênero desgastado de filmes com casas mal assombradas. Mas infelizmente o que é bem construído durante o filme é demolido com um final muito fraco e brega, diga-se de passagem. Idealizado, escrito e dirigido pela mesma dupla que começou bem a franquia de Jogos Mortais, e com o mesmo produtor de Atividade Paranormal, o filme faz algumas referências e homenagens a filmes de terror oitentistas trash, como Poltergiest por exemplo, mas erra feito ao jogar na cara do espectador uma conclusão óbvia e mal acabada.
A família Lambert acabou de se mudar para uma nova casa quando um estranho acidente deixa seu filho mais velho em um estranho coma que nenhum médico consegue explicar. Simultaneamente, estranhos acontecimentos na casa deixam os pais Josh e Renai Lambert assustados, que então decidem voltar para sua antiga casa, somente para descobrir que os sustos os acompanharam.

Muitas das cenas que mais assustam são as que apenas sugerem uma estranha presença sobrenatural, resultando em sustos fortes mesmo nos que estão acostumados com esse tipo de filme. A presença dos investigadores paranormais e da médium também acrescentam bastante a tensão filme. Até mesmo a explicação para os motivos das assombrações é bem pensada e até original, coisa que quando mal feita estraga o filme (como em Atividade Paranormal 2, por exemplo). Porém, essa tensão crescente e sugestão de presneças estranhas dão lugar a muitos fantasmas explícitos com maquiagens ruins e bregas, que estragaram bastante o filme pra mim.
Para aqueles que gostam de bons sustos e tensão na tela, o filme agrada bastante. Apesar do ator que faz o pai não convencer muito, o restante do elenco se entrega bem aos momentos mais fortes do filme, mas o final que lembra um "Trem Fantasma" de parque de diversões decadente pode tirar um pouco do brilho do filme.

Nota 1: Momento "Guilty Pleasure": A dupla de investigadores paranormais me lembrou muito o programa Ghost Hunters do SyFy, que mesmo sabendo que é tudo besteira, eu ainda me divirto muito assistindo.

Nota 2: Mais alguém aí achou o rosto do demônio de cara vermelha incrivelmente parecido com o Darth Maul?

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Filhos da Esperança (nota 10)

Todos os apreciadores de ficção científica já se habituaram a diferentes visões de futuros sombrios para a humanidade. Mas em Filhos da Esperança (Children of Men, título original), esse futuro deprimente atinge novos patamares ainda mais assustadores, com um enredo incrível e original. E para ajudar ainda mais a experiência, o diretor mexicano Alfonso Cuarón escolheu contar essa história com incríveis e longos plano-sequência lindamente coreografados.
Num futuro próximo, 2027 para ser mais exato, a humanidade enfrenta uma crise sem precedentes. Todos os humanos na Terra se tornaram estéreis, e nenhuma criança nasceu nos últimos 18 anos. As nações estão em crise, fronteiras são fechadas para proibir migrações, guerras civis são constantemente travadas contra milícias revolucionárias, e no meio de todo esse cenário cinza empoeirado encontramos Theo Faron (Clive Owen), um burocrata divorciado que não tem mais nenhuma motivação para nada na vida. Mas tudo muda quando sua ex-esposa pede seu auxílio para transportar em segurança uma jovem negra que carrega um milagre, que pode salvar a humanidade.
O mais assustador desse filme é o fato dele retratar um futuro decadente para a humanidade que é muito possível e realista. Realmente impressiona! E os longos planos-sequência (longos takes sem nenhum corte), sendo o último próximo do final do longa de cair o queixo, nos colocam dentro da ação o tempo todo, deixando o espectador sem fôlego nas cenas mais tensas. Falando no final do filme, é realmente impressionante o trabalho de sincronia, cenários e improvisação que devem ter sido exigidos. Não me lembro de nenhuma cena sem corte algum tão longa e complexa quanto essa nos cinema.
O elenco é pequeno mas muito competente. Clive Owen está ótimo e seu figurino está bizaro, pois ele passa metade do filme de havaianas! Fazem companhia a ele Juliane Moore e Michael Caine. Um filme que mostra um futuro assustadoramente possível e deprimente, mas que conta uma ótima história original. Imperdível!