terça-feira, 24 de agosto de 2010

Mary & Max (nota 9)

Mary e Max - Uma amizade diferente (subtítulo em português), uma produção Australiana que pode enganar muito num primeiro momento. Esta animação em stop-motion com bonecos simples e até certo ponto mal feitos, definitivamente não é para crianças, e na capa do DVD está estampada esta recomendação. Com um enredo forte, humor para adultos, e emoções fortes e verdadeiras que fazer esquecer que se tratam de bonecos, é difícil não se emocionar com esta história de amizade.

Mary é uma menininha australiana com sérios problemas de auto estima, sem amigos e com uma família distante que encontra no seu amigo por correspondência sua única forma de amizade, desabafo e fonte de respostas para dúvidas. Este amigo é Max, um homem de meia idade de Nova York, com sérios problemas de relacionamento com outras pessoas, e com distúrbios que o fazem não compreender o mundo a sua volta.

A amizade dos dois cresce conforme as cartas são trocadas, e acompanhamos o solitário diálogo escrito de ambos, criando cada vez mais uma empatia por esses adoráveis personagens incrivelmente profundos. A fotografia é espetacular. Como escrevi acima, até certo ponto parece ser mal acabado, mas no final se revela como uma escolha estética para a representação dos mundos de Mary e Max. Enquanto a Autrália de Mary tem tons marrons e laranja, a Nova York de Max é cinza e escura, com cores pontuais. Não se trata da mesma sofisticação da animação de Coraline ou do Fantástico Sr. Raposo, mas cumpre muito bem o papel.

Uma história realmente emocionante que não deve deixar de ser conferida pelos apreciadores do bom cinema. Duvido conseguirem segurar as lágrimas ao final do filme.

Uma Noite Fora de Série (nota 8)

Está aí um filme que cumpre exatamente o que é prometido no trailer e na capa. Simples e muito divertido, essa comédia de ação estrelada pela hilária dupla Steve Carell e Tina Fey vai te fazer rir com as piadas, com as situações estranhas ou com vergonha alheia, e até alguns momentos de muita ação e correria. Está tudo lá na quantidade certa, sem exageros.

O casal formado por Carrel e Fey é a melhor coisa do filme. Não acho que funcionaria tão bem se fossem outros atores. Os dois tem uma capacidade incrivel de improvisação e de fazer rir. A melhor prova sãos os erros de gravação exibidos após os créditos. Eles interpretam um casal que se coloca numa situação perigosa quando roubam a reserva de outro casal num restaurante em NY e são confundidos com bandidos. O elenco de apoio conta com bons nomes, em especial uma rápida e divertida participação de James Franco e Milla Kunis.

Para aqueles que procuram um filme para passar duas horas agradáveis e sem grandes compromissos, esse filme é a escolha certa.

Simplesmente Complicado (nota 6)

O trio principal que forma a espinha dorsal deste filme é sua grande atração. Meryl Streep, Alec Baldwin e Steve Martin estão incríveis em seus papéis, e a interação entre eles é muito divertida. O enredo trata de um casal divorciado (Streep e Baldwin) que se vê tendo um caso, mesmo que o marido tenha se casado novamente com outra mulher mais nova, e a esposa começa a se interessar por outro homem (Martin).

Não se trata de uma comédia romântica tradicional, tem algumas diferenças sutis, mas que no final acaba caindo no mesmo caminho das outras. Tem algum poucos momentos de dar gargalhadas, mas na maioria as situações cômicas são suaves, sobrando um pouco de espaço pro drama familiar. O filme agrada, mas não empolga.

O Primeiro Mentiroso (nota 7)

Ricky Gervais é a mente doentia por trás da criação do melhor seriado cômico da atualidade, The Office. Ele criou e estrelou a versão original inglesa da série, e é produtor da versão americana, que me faz ter dor na bochecha de tanto rir com as situações absurdas e com a vergonha alheia que acontecem no escritório mais improvável do mundo. Com isso em mente aluguei este filme onde Gervais dirige, escreve e atua, e até que me diverti bastante, mas não tanto quando o esperado.

O enredo trata de um mundo numa realidade alternativa onde os humanos nunca desenvolveram a habilidade de mentir. Todos dizem a absoluta verdade o tempo todo, não importa o quanto desagradável, rude ou constrangedor possa ser essa verdade, todos simplesmente cospem as palavras o tempo todo, mesmo que não seja nada perguntado. Porém quando o personagem de Gervais se encontra sem emprego e com sérios problemas financeiros, num instante ele desenvolve a habilidade de mentir, e como ninguém consegue identificar uma mentira, acreditam em tudo que ele diz, não importa o quando absurdo seja. É até esse momento no filme que surgem as melhores piadas e se trata de uma comédia pura. Porém, de um certo ponto pra frente o humor começa a dar espaço pro romance e até pro drama, e as mentiras começam a tomar um rumo muito perigoso.

Conhecendo o estilo de Gervais, eu esperava um filme um pouco diferente do que ele realmente é, mas de um modo geral é muito melhor do que muitas comédias bobas que são lançadas atualmente. As gargalhadas acontecem na maioria na primeira metade do filme, perdendo força na segunda, dando lugar a uma comédia romântica.

A Estrada (nota 7)

É complicado comentar uma adaptação de livro. Todas as adaptações para o cinema sempre perdem algum, ainda mais quando se trada de uma adaptação de livro. Fica ainda mais complicado quando o livro ainda está fresco na memória, e foi isso que me atrapalhou para ver este filme. Eu o ví apenas 2 dias após terminar de ler o excelente livro homônimo de Cormac McCarthy. Talvez eu tivesse gostado mais se não conhecesse o livro, então infelizmente minha crítica vai ficar muito baseada na comparação das duas mídias.

A Estrada se trata de um filme pós-apocalíptico de sobrevivência humana. Mas não é uma sobrevivência onde há alguma esperança do reaparecimento da humanidade. Esta esperança já desapareceu muito antes de começarmos a acompanhar a sobrevivência de um homem e seu filho, que nasceu após a destruição do mundo e só conhece aquela paisagem cinza e sem vida. O homem protege o menino de tudo, pois ele é sua única razão para persistir nessa sobrevivência teimosa.

Enquando no livro acompanhamos dia a dia a viagem dos dois para o sul tentando fugir do frio, numa lenta viagem explorando cada lugar que possa oferecer abrigo e mantimentos para sobrevivência, no filme tudo acontece muito rápido. Perde-se a sensação de aprendizado do menino. E os encontros com outros humanos "do mal" são adiantados em nome de um melhor ritmo para o filme. Entendo a necessidade disso, pois se fosse exatamente como no livro, ninguém aguentaria acordado a primeira meia hora. Mas mesmo assim, entendo que foi uma ótima adaptação para as telas.

O elenco é pequeno. Em 90% do tempo de tela temos somente o homem, em mais uma ótima interpretação de Viggo Mortensen, e o menino, em boa interpretação do desconhecido Kodi Smit-McPhee. A fotografia retrata muito bem a descrição do livro, com muito cinza, destruição e corpos espalhados pelo caminho dos viajantes. Só achei que faltou mais neve nos cenários. Em comparação a outro filme pós-apocalíptico recente, O Livro de Eli, este não tem ação nem vilões tradicionais, mas é uma ótima história de sobrevivência.

Tá rindo do quê? (nota 4)

Judd Apatow surgiu como o novo rei da comédia de Hollywood com o ótimo Virgem de 40 anos, e desde então emendou um novo sucesso após o outro, seja como diretor, escritor ou produtor de seus filmes. Porém em Tá rindo do que?, dirigido e escrito por Apatow, ele errou feio na mistura de humor e drama, resultando no seu pior filme até o momento.

Estrelado por Adam Sandler e Seth Rogen o filme trada de um comediante de sucesso no cinema e nos palcos de stand-up (Sandler) que está com uma doença incurável e se vê a beira da morte. E ele é na vida real totalmente diferente do que demonstra nos seu trabalho no mundo da comédia. Solitário, grosseiro, sem tato nenhum com pessoas, ele contrata um assistente e aspirante a comediante (Rogen) para organizar sua vida até o momento de sua morte. Porém uma cura alternativa pode mudar tudo.

E aí que o filme se perde. Enquanto os rápidos flashes dos shows de stand-up são muito engraçados, o resto do filme é meio deprimente e chato, com um baita de um desvio da comédia nos últimos 30 min de filme. Parece até que emendaram dois pedaços de roteiro diferentes num só. Só sei que não funcionou muito pra mim, fique com as outras comédias do diretor, como Segurando as Pontas e Ligeiramente Grávidos.

A Caixa (nota 6)

Cuidado ao tentar ver este filme. Não é um filme fácil de ver, é muito estranho, confuso e não trata o espectador como burro explicando tudo da forma mais mastigada possível. E na minha opinião está aí o seu grande mérito. Mais uma obra estranha do controverso diretor / escritor Richard Kelly, responsável pelo estranho mas divertido Donnie Darkko, e pelo estranhíssimo - e chato - Southland Tales, e este filme não foge do estilo do diretor.

Podemos dizer que este filme de mistério / ficção científica / triller psicológico tem muito mais história escondida do que é realmente mostrado, mais ou menos como a série LOST. E enquanto ficamos esperando que tudo seja revelado, o filme toma um rumo muito diferente e sobram dúvidas e explicações não resolvidas. E com isso, podem surgir inúmeras discussões filosóficas que não vou começar a escrever pra não estragar a surpresa de quem quer ver o filme.

Com um bom elenco e boas atuações (Cameron Diaz, James Marsden e especialmente do Frank Langella) este filme bizarro pode agradar a alguns, ou mais provavelmente pode irritar a grande maioria do publico que só quer uma diversão mais fácil. Mérito do diretor em ser macho o suficiente pra bancar este filme vindo de sua mente perturbada.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

A Origem (nota 9)

Este filme me dá um nó na cabeça. E não é confusão causada pelo ótimo e original enredo escrito pelo brilhante diretor e escritor Christopher Nolan. O problema vem justamente da incrível expectativa que eu tinha sobre esse filme após os intrigantes trailers que divulgavam pouquíssima informação, nos brindando com cenas estranhas e fantásticas. A expectativa era tanta quem eu nem tinha visto o filme e já estava dando nota 10 para ele, e mesmo que a nota 9 seja ótima, isso demonstra que não correspondeu a tudo que eu esperava. Não me entenda mal, é um puta filmaço legal pra cacete, mas é muito difícil fazer frente a expectativa criada... fazer o que?
Cobb e Arthur, muito bem interpretados com a competência habitual por Leonardo DiCaprio e Joseph Gordon-Levitt, são ladrões especializados em roubar informações entrando no sonho das pessoas. E isso é tudo que vou dizer a respeito do enredo, quanto menos souber mais interessante fica o filme, conselho de amigo. E é justamente desses mundos de sonhos que surgem as situações estranhas em lugares fantásticos que desafiam as leis da física. É aí que fica minha única crítica ao filme. Já que se trata de um mundo onde tudo é possível, o mundo é muito certinho. Faltam mais imagens bizzaras e situações absurdas que geralmente povoam nossos sonhos. Mais parece um passeio na Matrix do que num mundo onde tudo vale. Mas essa foi a opção do roteiro, então vamos em frente. O resto do filme tem o estilo de filmes de roubo, com muito planejamento e é claro, execução do roubo em sí.
O elenco está recheado de rostos conhecidos,como Ellen Page, Cillian Murphy, Tom Berenger, Marion Cotillard, Michael Cane, Ken Watanabe, todos muito bem em seus papeis. A direção sólida de Nolan, a contagiante trilha sonora e o enredo complicado, mas muito bem amarrado, prendem a atenção o tempo todo. Não dá pra desgrudar os olhos da tela até o clímax final, que vai se esticando conforme todas as peças vão se encaixando. São quase 2:30h de filme que passam voando. A última cena do filme é impagável, daquelas de deixar todo o cinema comentando durante os créditos.

Um dos melhores filmes do ano sem dúvida, não pode deixar de ser visto por nenhum apreciador de bom cinema, de uma originalidade e criatividade de primeira linha. Mais um presente do Nolan, que já nos trouxe outras incríveis obras como Batman Begins, Batman - Cavaleiro das Trevas, O Grande Truque e Amnésia.

P.S.- Vimos este filme numa pré-estréia exclusiva graças a uma promoção que ganhei no site do www.omelete.com.br. Agradeço ao Omelete por essa oportunidade.

Ilha do Medo (nota 10)

É difícil Martin Scorsese decepcionar, e depois de ganhar o Oscar com o excelente Os Infiltrados, a expectativa era grande. E ele não decepcionou. Ilha do Medo é um incrível triller psicológico que faz até o espectador duvidar de sua própria sanidade.

Teddy e Chuck, interpretados por Leonardo DiCaprio e Mark Ruffalo respectivamente, são dois detetives que vão até a ilha Shutter, uma pequena ilha que serve de hospital psiquiátrico, para investigar um misterioso desaparecimento de uma das pacientes. Durante sua investigação, o Dr. Cawley, interpretado por Ben Kingsley, os auxilia mas ao mesmo tempo parece esconder informações importantes, levantando ainda mais suspeitas.

As interpretações estão excelentes, com destaque para DiCaprio. Faz tempo que ele está merecendo um Oscar, e sua interpretação neste filme somado ao A Origem, devem render uma indicação. A direção está na medida certa, e um enredo bem construido, sabendo nos intrigar, nos confundir e em momentos questionar a própria sanidade, faz deste um dos melhores filmes do ano.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Alice no País das Maravilhas (nota 6)

Sabe aquele tipo de filme que antes mesmo de vê-lo você quer gostar dele, e durante o filme você se esforça pra continuar tentando gostar dele, mas que no final das coisas, algo nunca permite que você finalmente esboce um sorriso? Poisé, foi assim que me senti durante a estréia de Star Wars Episódio I - A Ameaça Fantasma. Todo o meu fanatismo e minha nerdisse me obrigavam a gostar do filme, mas no final das contas, foi uma bosta. Em Alice no País das Maravilhas foi quase isso, obviamente que guardadas as devidas proporções e fanatismos nerds à parte.

Eu gosto muito da maioria dos filmes do cineasta Tim Burton, mas não sei o que aconteceu aqui. Das marcas registradas do diretor tudo está presente: o tradicional visual sombrio, com arvores retorcidas, roupas coloridas e excêntricas, presonagens esquisitos, Helena Bonham Carter, Johnny Depp e a trilha sonora de Danny Elfman. Porém o mais importante de um bom filme, que é o roteiro, é muito fraco e força situações que não condizem com o que eu esperaria de um filme baseado na personagem de Alice. Só pra deixar claro, o filme não é exatamente uma refilmagem da clássica animação da Disney, mas sim uma "quase" continuação.
Não me entendam mal, não estou dizendo que odiei o filme, pois o mesmo tem qualidades ótimas, como o incrível visual deste mundo estranho. Porém achei um pouco exagerado o uso de animação por computador, e também achei alguns ângulos de câmera muito forçados, talvez por causa do 3D (vi em 2D mesmo). Mas o enredo é muito fraco, até o sempre competente Johnny Depp está meio sem graça. É isso, sei que o filme teve uma arrecadação absurda, mas não entendo de onde veio tanto fanatismo pelo filme.

sábado, 31 de julho de 2010

Coraline e o Mundo Secreto (nota 8)

Foi uma grata surpresa ver este filme. Sem querer o peguei começando no Telecine, e não consegui mais levantar do sofá até o final. Esta animação "infantil" em stop-motion é uma adaptação de um livro escrito por Neil Gaiman, mais conhecido por sua obra nos quadrinhos de Sandman. E o que se parece com uma aventura infantil de fantasia de repente se torna algo muito mais assustador.

Falando da animação em stop-motion, está de cair o queixo. Não me lembro recentemente de nada tão espetacular, detalhado, cuidadoso e com uma movimentação tão suave. Nem mesmo a animação do ótimo Fantástico Sr. Raposo se compara a criação do diretor Henry Selick e sua equipe de animadores. Sim, apresar de terem momentos dignos de Tim Burton, esse filme não tem nada a ver com ele.
Coraline é uma menina que se muda para uma casa num condomínio onde vivem outras pessoal estranhas, mas muito carismáticas. Ignorada pelos seus pais que trabalham muito, ela encontra uma porta que a transporta para outro mundo, muito parecido com o seu próprio. E vou parar por aqui, senão estraga a surpresa. A dublagem é muito boa, nem nenhum ator de muito destaque exceto Terry Hatcher. O verdadeiro destaque fica para a incrível animação stop-motion. Originalmente lançado em 3D no cinema, deve ter sido espetacular, infelizmente eu só vi na tv de casa.

Apenas o Fim (nota 6)

Cinema nacional realmente não é meu forte. Tenho sérias dificuldades em ir por conta própria ver um filme brasileiro, seja no cinema ou locadora. Mas depois de ler tantos elogios ao filme Apenas o Fim, resolvi encarar de frente. Não é que o filme seja ruim, nada disso, mas me incomodou um pouco. Não sei exatamente o motivo, mas talvez seja pelo fato de me irritar profundamente o motivo principal do enredo do filme. Não que eu esteja ficando velho, mas SEMPRE me irritou pessoas com frescurinha que acham que fugir é a melhor solução.

Digo isso pois todo o filme se concentra na conversa de um casal de namorados, que passeiam pela sua faculdade discutindo sua relação, pois a menina decidiu fugir, seja lá qual for o motivo dela. Os diálogos são muito interessantes, fogem totalmente do "padrão Globo" de cinema e novela, demonstrando toda a qualidade de guiar os atores do estreante diretor Matheus Souza. A conversa dos namorados é recheada de referências pop, adolescente, nerd, etc, o que é muito agradável. Os personagens caricatos que vão surgindo conforme os dois passeiam também são interessantes, principalmente a forma debochada como são tratados pelos personagens principais. O filme muito lembra os Antes do Por do Sol e Antes do Amanhecer, e os diálogos beiram Seinfeld.

A fotografia é bem simples. A câmera na mão passeia constantemente junto com os atores, e se considerarmos que se trata de uma produção de faculdade, está ótimo. Outra boa demonstração de conhecimento do diretor.

Achei muito interessante a iniciativa, mas não me agradou tanto quanto eu esperava após os inúmeros elogios. É claro que eu não manjo porra nenhuma de cinema, sei do que eu gosto e do que eu não gosto. Talvez eu não tenha entendido, mas fazer o que?

sexta-feira, 30 de julho de 2010

A Prova de Morte (nota 8)

O Tarantino é um cara foda. Ele consegue transformar um filme que deveria ser propositalmente ruim num filme com o estilo tarantinesco conhecido de todos.
A Prova de Morte é a segunda parte do filme duplo lançado somente nos EUA com o nome Grindhouse, e chegou com absurdos 3 anos de atraso. A primeira parte é o filme Planeta Terror de Robert Rodrigues. Tarantino e Rodrigues são amigos e decidiram crias estes dois longas como uma homenagem aos filmes B.

E como uma homenagem a filmes trash, até os defeitos são planejados. A imagem cheia de riscos e as cores apagadas, o tropeço do câmera, erro no momento de dar o zoom, tudo faz parte da experiência e serve pra dar um charme de coisa ruim, mas nas mãos habilidosas do diretor fica tudo muito divertido. De resto, as marcas registradas estão lá: os longos diálogos recheados de referências pop e palavrões, ótima trilha sonora, personagens carismáticos, e por aí vai. É impressionante como Tarantino consegue arrancar de seus atores excelentes performances, até o esquecido Kurt Russel está incrivelmente bem.
E estranhamente este o A Prova de Morte também tem duas partes muito distintas, parecendo dois capitulos totalmente diferentes. Não entendi muito bem esta divisão do filme, então vi nesse ponto o principal defeito do filme. Nada que vá estragar a diversão, mas é como se no meio do filme para tudo e começa de novo. Mas certamente é um filme interessante.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Encontro Explosivo (nota 8)

Caso esteja procurando por uma diversão rápida, fácil e indolor, esse filme vai te agradar. Agora, se você é daqueles que adora implicar com qualquer cena que seja impossível, irreal, absurda, esqueça! Passe longe. Mas garanto que pra quem ficar, vai se divertir bem com esse bom filme de ação / comédia.

A verdade é que em muitos momentos esse filme me lembrou True Lies, de James Camerom estrelado pelo Arnold Governator. É um filme que mistura muita ação, correria, tiroteio, espionagem, carros rápidos, explosões, mas que não se leva muito a sério, e daí vejo sua maior qualidade. É pura diversão sem muita frescura. Mas acreditem quando eu digo que, apesar de todos os elementos clichê de filme de macho descritos acima, esse filme poderia muito bem ser intitulado como um filme de ação para mulheres, e que os homens também gostam.

A culpa disso é do casal vivido por Tom Cruise e Cameron Dias. A dupla está com uma interação muito boa, mas a história gira muito mais em torno da Cameron Dias. Não que isso seja ruim, mas muitas vezes a cena de ação deixa de ser retratada com câmeras corridas e tremidas, para mostrar sempre o ponto de vista da personagem feminina. Mas esse recurso dá uma nova dinâmica e funciona extremamente bem nas cenas cômicas.

Não é nenhum filme que vai mudar a sua vida, mas certamente vai distrair bem durante quase duas horas. Na ausência de algo melhor no cinema em tempos de porcarias como Crepúsculo, vale a ida no cinema.

O Lobisomem (nota 6)

Aluguei esse filme já com suspeita que seria meio chato, e infelizmente acertei em cheio. O retorno deste monstro clássico quase agrada, mas falha em alguns pontos.

Começando pelas coisas boas: a atmosfera com muita névoa e a fotografia sombria estão na medida exata e dão o tom do filme deste o início. Só o ambiente onde tudo se passa já é suficientemente assustador, deixando as aparições do monstro lupino mais aterrorizantes. A maquiagem de lobisomem, assim como os efeitos especiais da transformação estão muito caprichados. Só achei que os dentes inferiores do lobinho ficavam meio bambos de vez em quando. A carnificina causada pela criatura está bem sangrenta. Não pouparam os litros de sangue falso, vísceras e membros decepados espalhados pelo chão, transformando o filme num terror "gore".

Porém nem tudo é perfeito, e existem defeitos realmente incômodos: pra começar, o principal problema é o elenco. Eu nunca achei o Benicio Del Toro um bom ator, e achei ele péssimo nesse filme. Antony Hopkins está muito estranho. Parece atuando no piloto automático. Emily Blunt não atrapalha mas também não merece prêmio. A melhor atuação fica por conta de Hugo Weaving, que tem pouco tempo de tela. O personagem principal vivido por Del Toro é absolutamente sem graça. Não sei se a culpa é do roteiro ou do ator, mas em nenhum momento eu me importei com o personagem, torci por ele ou coisa parecida, só torcia para chegar logo a próxima transformação no monstrengo peludo.

Tem mais coisa pra contar, mas acabarei estragando o final. Em termos de monstros clássicos, ainda acho o Drácula (dirigido pelo Coppola em 1992) insuperável.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Vicky Cristina Barcelona (nota 7)

É Woody Allen, mas Almodovar não me saiu da cabeça! Penelope Cruz, Javier Barden, Barcelona, espanhois briguentos, cenas calientes, enfim... Confesso que não vi muitos do Woody Allen (nunca foi muito do meu gosto), mas achei o filme é interessante! A relação mais "controversa" do filme (falando em código para não fazer spoiler), embora seja bem polemica, foi tão bem construida que chega a parecer algo natural...

Outra coisa que tenho que dar o braço a torcer é para a Penelope Cruz, ela nunca me representou grande coisa, mas realmente nesse filme esta está sensacional. E não dá pra não falar do Jarvier Barden, que sempre foi e continua sendo sensacional! (Futility News: Os dois inclusive estão casados de verdade)...

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Fantástico Sr. Raposo (nota 8)

Sinceramente, eu não fazia a menor ideia do que esperar deste filme em animação stop-motion, trazida aos telas pelo estranhissimo diretor Wes Anderson, responsável por filmes bizarros como Os Excêntricos Tenenbauns e A Vida Aquática de Steve Zissou. Mas no final das contas esta agradável surpresa me divertiu MUITO além do esperado. Mas cuidado, o filme é ligeiramente estranho, bem menos do que os outros longas do diretor, mas certamente é o menos estranho dele, mas pode não agradar a qualquer um.
O Sr. Raposo é uma raposa (duh!!!) que não consegue fugir aos seus instintos. Pai de um filho, prometeu a sua esposa que não mais roubaria galinhas, perus e afins. Mas quando ele quebra sua promessa, arranja sérios problemas com três homens perigosos e dispostos a qualquer coisa por vingança. Pode parecer uma descrição clichê de enredo, mas esse filme é muito mais. É uma aventura através do relacionamento entre família, comunidade e amigos, tudo de um jeito muito estranho e peculiar.

O humor presente no filme é estranho. Pode te fazer gargalhar, mas pode te fazer desligar se não entender. O visual é brilhante, em se tratando de uma animação stop-motion. A forma como os pelos se mexem constantemente, provavelmente devido a constante manipulação dos bonecos, é hipnotizante. Os closeups nos rostos dos personagens e várias tomadas são estranhas mas de uma inventividade impressionante.
O filme também conta com uma grande quantidade de atores conhecidos como dubladores. Além de George Clooney, que combina incrivelmente bem com o personagem principal do Sr. Raposo, outros nomes como Meryl Streep, Bill Murray, Willem Dafoe e Owen Wilson também estão presentes, mas o interessante é que estas vozes somam ao filme mas não roubam a cena.

A dica é essa, vejam com a mente aberta a uma experiência diferente, e aposto que apreciaram esta original raridade do cinema hollywoodiano.

PS: Desculpa invadir a crítica do Fê, mas ele esqueceu de falar do Kylie: "A gente nunca sabe o que ele está pensando!"

quarta-feira, 7 de julho de 2010

O Fim da Escuridão (nota 8)

Mel Gibson está de volta, e mesmo parecendo bem mais velho, continua mandando muito bem. E pra um filme que, ao ler as costas da caixa do DVD me pareceu um clichê padrão de filme de policial / vingança, até me surpreendeu muito bem o desenrolar da trama.

Mel Gibson é Thomas Craven, um policial que vê sua filha ser assassinada ao seu lado em frente de casa. Ele ignora completamente a ajuda de seus colegas policias e começa a investigar sozinho, encontrando muito mais sujeira do que imaginava. Não vou escrever mais nada pra não estragar, o roteiro tem boas surpresas.

A direção sólida habitual de Martin Campbel (o mesmo de Cassino Royale) dá um bom ritmo ao filme. As atuações estão muito boas, com Mel Gibson no seu melhor, as vezes até mesmo lembrando algum papel que poderia ser facilmente passado para Clint Eastwood. O resto do elenco cumpre bem seu papel.

Não é nenhum filme que vai mudar a sua vida, mas vai divertir e te distrair bem.

domingo, 27 de junho de 2010

TOY STORY 3 (nota 10)

Nossa, que novidade, mais um filme da PIXAR que recebe nota 10 aqui no blog... Mas falando sério, a Pixar está de brincadeira, eles simplesmente NÃO SABEM FAZER FILME RUIM. Até no caso do filme Carros, que na minha opinião é o mais fraco produzido pelo estúdio, ainda fica anos luz a frente de tranqueiras cultuadas como Shrek. E honestamente falando, Toy Story 3 deverá ser lembrando pra sempre como uma das maiores obras de animação do cinema. O filme é expetacular!!!

Não vou perder tempo explicando os personagens, pois Woody, Buzz e companhia já estão mais do que estabelecidos na cultura pop geral. Então, o que impressiona tanto nesta terceira continuação? Simples, um enredo incrivelmente bem escrito, divertido, engraçado e assustadoramente comovente e emocionante.

Como já estava engatilhado desde Toy Story 2, o menino Andy, agora com 17 anos, já não brinca mais com seus adorados brinquedos e está para sair de casa rumo a faculdade. Depois de alguma confusão, seus brinquedos acabam sendo doados para uma creche. E a grande temática do filme parte do principio que Woody não se convence que o fim chegou e ainda acredita que deve ficar junto de Andy.

Muitas vezes disse que estas animações da Pixar já deixaram de ser coisa de criança (vejam o caso do espetacular Wall-E, por exemplo), mas esse filme me impressionou muito com cenas corajosas e assustadoras, pois criança alguma deve conseguir entender a profundidade emocional do que está sendo exibida. Em determinado momento, no clímax dramático do filme, me deu um aperto no coração ao perceber a serenidade com que os personagens estavam encarando e aceitando a inevitabilidade da morte. É uma cena muito forte e que mais uma vez prova a capacidade dos criadores.

Mas calma lá, nem tudo é dramalhão. O filme tem muitas cenas hilárias, de gargalhar alto e sem vergonha. O visual está mas espetacular do que nunca, e pra melhorar tudo, o 3D está na medida certa e é usado como recurso pra contar uma história, e não só pra ficar arremessando coisas na cara do espectador (ví o filme no IMAX 3D, e foi incrível). E é lógico que o final do filme é muito emocionante. Considerem ver ao filme em cinemas 3D, pois os óculos ajudam a esconder as lágrimas, hehehe.

Resumindo, Toy Story 3 vai muito além do entretenimento fácil pra criançada. É cinema de primeira qualidade, feito por mentes criativas que não tem medo de arriscar, e conseguem atingir a todas as idades. Não percam.

PS- O curta animado que costumeiramente antecede o filme é o mais incrível e inovador que eu já ví. É de uma criatividade sem igual, e se for visto num cinema 3D (o curta mistura animação tradicional e em computação) toma uma dimensão ainda mais incrível.

terça-feira, 1 de junho de 2010

Amor Sem Escalas (nota 10)

Amor Sem Escalas era um dos favoritos ao Oscar de 2010, mas não levou. Mesmo assim, é um puta filme legal que merece ser visto por todos. E não se engane, já aviso que o título brasileiro pode levar a crer erroneamente que se trata de uma comédia romântica, mas não é nada disso. Muito pelo contrário, este ótimo drama nos leva para uma viagem de emoções e sentimento diversos, daqueles que vai te deixar um bom tempo depois ainda pensando no que aconteceu e de onde veio o tapa que levou na cara!!

Ryan Bingham, uma das melhores (se não a melhor) interpretações de George Clooney trabalha para uma empresa que demite os funcionários de outras empresas e ajudam nessa transição para o desemprego. Como o filme se passa em meio a crise financeira, então os negócios vão bem para Ryan, que também faz palestras motivacionais a respeito do que ele mais acredita e como leva sua vida: solidão e desprendimento.
Ryan adora sua vida, que passa a maior parte nos aeroportos e em vôos domésticos, quando numa destas viagens encontra com Alex Goran (Vera Farmiga, interpretação inspiradíssima) que é uma versão feminina do próprio Ryan, e os dois começam a se ver sempre que os compromissos permitem. Tudo ia bem até que a jovem Natalie Keener (Anna Kendrick, outra excelente interpretação) implementa um novo sistema de demissão por videoconferência, acabando com as viagens e o modo de vida de Ryan.

Até este momento o filme tem um tom mais ameno e bem humorado, porem deste ponto em diante somos expostos a diversos tipos de emoções conflitantes, seja ao ver alguém sofrendo por perder o emprego, ou por ver a primeira demissão da novata.
O trio principal de atores está incrivelmente bem e entrosado. Clooney em especial consegue passar uma imagem de homem decidido mas que fica fragilizado com novos acontecimentos de forma impressionante. O roteiro do filme é muito bom e muito original, e proporciona tudo na medida certa, humor, romance, drama e por aí vai. Um filme obrigatório.

Encontro de Casais (nota 5)

Num primeiro momento eu até tinha gostado desta comédia, mas pensando melhor, ela é bem sem graça. As piadas se concentram em momentos de embaraço e situações sexuais. Os personagens são caricatos e o desenrolar do enredo é bem vergonhoso.

Neste longa acompanhamos 4 casais de amigos que vão a um retiro para reconciliação pois um dos casais está a beira da separação, mas o pacote para 8 pessoas é mais barato. Então os outros 3 casais que acreditam estar indo somente para férias são obrigados a participar das atividades, o que aflorar muitos problemas que não julgavam ter.

Então é bem previsível que teremos os 3 estágios típicos desse tipo de filme: negação, separação e reconciliação, tudo muito rápido e meio sem explicação.

Existem alguns momentos bons no filme, mas nada que falha a pena se deslocar até a locadora. Um ponto positivo é a localização paradisíaca!

Código de Conduta (nota 6)

Esse filme não é tão ruim quando a nota, mas não conseguiu me convencer. Me pareceu uma tentativa de fazer um "Jogos Mortais Cover Light". Mas ele até se desenrola bem até quase o final.

Quando conhecemos Clyde Shelton (Gerard Butler, interpretação padrão), sua casa já está sendo invadida por dois ladrões que matam sua mulher e filha, e ele sobrevive somente para ver o assassino de sua família pegar uma pena leve graças a um acordo do seu advogado Nick Rice (Jamie Foxx, bem sem graça). Após 10 anos, Clyde, que aparentemente é um gênio, inicia sua vingança não somente contra o assassino de sua família mas também contra todo o sistema de justiça.

***************Spolier Alert********************
Eu até entendo os motivos originais da vingança, mas quando ele começa a matar muitas pessoas a volta de seu principal alvo, o advogado Nick, o filme se perde e vira um Jogos Mortais com muita gente morrendo de graça nas armadilhas de Clyde. Isso me incomodou bastante.
***************Fim do Spoiler******************

Pra quem gosta de tramoias impossíveis, muitas explosões e mortes gratuitas, mas sem o lado explícito do Jogos Mortais, até vai gostar desse filme.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Pandorum (nota 8)

Olha aí outra grata surpresa!! Eu vi um trailer meio sem querer num DVD alugado e me interessei. E não é que o filme é bem divertido?

Seguindo a melhor tradição dos filmes de terror/ficção científica imortalizado pelo primeiro Alien, e muito bem utilizado em outros menos memoráveis mas igualmente assustadores como Enigma no Horizonte, se prepare para muita escuridão, corredores fechados, ambientes tecnológicos/industriais sujos e muitos sustos, enquanto acompanhamos Bower, que acordou de sua hibernação em meio a uma sala escura e com a memoria falha, na busca por informações sobre o que teria acontecido a nave Elysium, que deveria levar 60 mil humanos para outro planeta, mas está coberta por seres medonhos e mortais.
As atuações estão dentro do padrão. Tanto Ben Foster como Dennis Quaid cumprem bem seu papel. O que realmente impressiona são os cenários reais. Nestes tempos de Avatar, que tudo é criado digitalmente, é muito bom ver um cineasta criando ambientes reais para seus atores.

De o enredo também não é nada novo, mas guarda algumas boas surpresas para o final. De resto é esperar pelos sustos, pela correria, uma dose leve de "gore" e curtir um bom sci-fi horror movie.

Nine (nota 5)

Mais uma vez eu esqueço de uma convicção minha e tento gostar de um musical, e pra mais uma decepção, continuo achando insuportável!! Dirigido pelo mesmo Rob Marshal que ganhou o Oscar com Chicago, a fórmula aqui é a mesma, um filme cortado por cantorias e danças no estilo Broadway que saem da realidade do filme.

Mas desta vez o cenário muda da cidade de Chicago para a Itália, onde acompanhamos o diretor de cinema Guido Contini (muito bem interpretado por Daniel Day-Lewis) sofrendo para começar uma produção que nem tem roteiro enquanto sofre com problemas pessoais com sua esposa e suas amantes.

As grandes diferenças entre Nine e Chicago são as seguintes: Enquanto em Chicago a história principal do filme é uma chatice, em Nine temos um enredo mais emocionante e com melhores atores. Por outro lado as músicas de Chicago eram mais interessantes, e as de Nine são um saco. É isso, se gostou de Chicago arrisque ver, se não, passe longe.

Zumbilândia (nota 8)

Adoro filmes com um senso de humor meio doentio. E filmes de comédia que usam como pano de fundo uma infestação de zumbis tem muito potencial para um humor meio fora do padrão. Depois do espetacular Todo Mundo Quase Morto (Shaun of the Dead), o diretor estreante RubenFleisher nos brinda com mais um motivo para rir dos desmortos sendo despedaçados das formas mais hilárias possíveis.

Uma piada recorrente, mais que nunca cansa, tem a ver com a foto aqui do lado. O personagem principal Columbus (Jesse Eisenberg, parecidíssimo com Michael Cera de Juno) tem uma lista de regras rígidas que como bom nerd, nunca deixa de seguir. E graças a estas regras ele se manteve vivo e sozinho no mundo infestado de zumbis.
Tudo muda quando ele conhece Tallahassee (Woody Harrelson, hilário e caricato), um maluco que realmente se diverte matando zumbis das formas diversas possíveis. Os dois se encontram com as irmãs Wichita (de Superbad) e Little Rock (a Pequena Miss Sunshine) e juntos tentam sobreviver da melhor forma possível.
O filme tem seu momento teen, com Columbus e Wichita se envolvendo, mas no geral retrata o grupo se virando como pode e se divertindo no caminho. Um momento especial é uma homenagem que é feita numa participação mais do que especial do mestre Bill Murray.

Não vou dizer que é um filme para todos verem. É necessário um senso de humor diferenciado. Entenda assim, se você riu muito da cena do atropelamento do russo em Snatch, você vai gostar desse filme.

domingo, 30 de maio de 2010

Sherlock Holmes (Nota 8)

O brilhante detetive Sherlock Holmes e seu fiel parceiro Watson voltam em grande estilo, usando todo seu intelecto e suas técnicas de dedução baseada em observações cuidadosas, e todas as suas habilidades atléticas quando necessário, com direito a muita pancadaria. Gostei muito do fato de não ser um "filme de origem" ou uma história de como Holmes e Watson se conheceram. O enredo nos coloca numa situação onde ambos já trabalharam juntos e se conhecem muito bem.

Dirigido pelo ótimo Guy Ritchie, que nos trouxe os excelentes filmes Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes e o Snatch, o filme tem um tom muito diferente dos trabalhos anteriores do diretor, afinal se trata de uma grande produção Hollywoodiana com atores renomados e muitos efeitos visuais. Mesmo assim o trabalho é muito bem feito. Não temos o humor negro típico, mas nesta produção não seria correto.
As atuações estão ótimas. Robert Downie Jr mais uma vez incorpora o personagem de forma brilhante, e seu conhecimento em artes marciais certamente ajudou muito a construção deste Sherlock um pouco diferente do pomposo detetive com caximbo na boca com o qual estamos acostumados. Eu só achei que o personagem ficou um pouco infantil no começo do filme, com brincadeiras e picuinhas meio bobas. Jude Law demonstra a mesma competência habitual. Mas a interação entre Holmes e Watson durante a investigação dos crimes praticados por Lord Blackwood é divertidíssima, e o principal motivo que empurra o filme pra frente.

O visual do filme está incrível. A Londres do final do séc. 19 é muito bem retratada, com muitos efeitos visuais, "novos" inventos e "novas" construções, como a London Bridge. O enredo é muito bom, mas achei que as conclusões do mistério foram todas desvendadas e despejadas de uma só vez no espectador. Erro comum que muitos filmes fazem, ao julgar a sua plateia mais burra do que realmente é. Também achei um pouco exagerada a cena da briga no estaleiro. Dá a impressão de ser alguma imposição de estúdio.

Mas tudo bem, os defeitos são poucos e não são suficientes pra estragar um ótimo e divertido filme. Vamos ver como a continuação se sai.

terça-feira, 4 de maio de 2010

Homen de Ferro 2 (Nota 9)

É isso aí!! Finalmente é chegada a hora do aguardadíssimo Homem de Ferro 2. E fiquem tranquilos, toda a expectativa gerada em torno dos ótimos trailers de divulgação é totalmente atendida! O filme é muito bom, supera o primeiro que já era fantástico! E o motivo disso é que o esperto diretor Jon Favreu subir o nível das cenas de ação sem se deixar levar somente por tecnologia, mantendo o que o primeiro filme tinha de melhor, a interação entre personagens.
E são vários personagens novos, mas na medida certa. Esta continuação não comete o erro de várias outras que extrapolam o número de personagens novos a ponto de nenhum ter o destaque que merece. Aqui tudo é muito bem equilibrado, todos tem o tempo de tela necessário, sempre deixando a maior exposição para o personagem principal e grande motivo do filme funcionar, o desprezível mas adorável bilionário Tony Stark, mais uma vez interpretado de forma brilhante por Robert Downey Jr. Os vilões também são muito bons, típicos vilões da MARVEL. Temos o russo Ivan Vanko, a antítese de Tony Stark, muito bem trazido a vida por Mickey Rourke, e outro milionário fabricante de armamentos Justin Hammer, interpretado com a mesma competência habitual de Sam Rockwell. Tivemos somente uma troca, o ótimo Don Cheadle substitui Terrence Howard como James Rhodes, e na minha opinião melhorou o personagem. Scarlett Johansson como a Viúva Negra não tem nenhum desafio dramático, mas faz muito bem seu papel de "eye candy" e "ass kicker" quando requisitada.
E como eu já escrevi, o que o anterior tinha de melhor foi mantido, que é a interação entre personagens. Vale uma ressalva especial para o relacionamento entre Stark e Pepper Potts. O humor está na medida certa, graças ao jeito canastrão de Stark, que caso contrário seria um personagem detestável. A ação está excelente, com efeitos visuais da melhor qualidade.

O enredo geral foi muito bem bolado, deixando algumas surpresas para o final. Temos a introdução do lado mais auto-destrutivo de Tony Stark e sua bebedeira, dando um tom mais sério em alguns momentos. E sobra espaço para referências ao resto do universo que a Marvel está criando para o cinema, os conhecedores terão muitas chances de achar várias referências. E não caia do cinema até o final dos créditos.
Espero sinceramente que a Marvel Films mantenha o rítmo criado com estes dois filmes do Homem de Ferro no restante de suas próximas produções, Thor, Capitão América, Os Vingadores, e por aí vai. Recomendadíssimo.