domingo, 17 de junho de 2012

Prometheus (nota 7)

Expectativa é uma coisa muito complicada de se lidar. Enquanto a experiência de se ver um filme quase bom, mas sobre o qual você não tem nenhuma expectativa, pode ser satisfatória. Porém quando se trata de um filme muito aguardado, mas que apesar de ser bom, não atinge o nível de qualidade esperado, pode resultar numa experiência que deixa um gosto mais amargo do que normalmente deixaria um filme  realmente ruim. Infelizmente foi o que aconteceu comigo neste Prometheus, aguardadíssimo retorno do diretor Ridley Scott à ficção científica no prelúdio de uma das minhas séries de filmes favoritas, Alien.
E os que acompanham este blog, sabem que este era o filme que eu mais queria ver neste ano, e a quase decepção ainda me deixam com um sentimento conflitante sobre este longa. É um bom filme, é uma boa ficção científica, mas não é a experiência cinematográfica que parecia melhor no trailer, muito menos é digna do nome do diretor que foi responsável por outras obras eternas da ficção como Alien e Blade Runner. Uma parte da culpa entendo ser do próprio diretor, que se rendeu a pressões de estúdio para se adaptar à manias modernas de deixar finais abertos para continuações, e explicar demais cenas que não precisam de mais explicações. A outra parte da culpa é do roteiro, que deixa cenas ótimas, cheias de tensão e carga emocional sem uma finalização adequada, e continua como se nada tivesse acontecido.  O melhor exemplo disso é a ótima cena do "aborto", que termina sem nenhuma consequência. Uma pena.
Mas calma, nem tudo é de se jogar fora, afinal ainda se trata de um filme muito interessante. O tema principal do enredo é muito bom, e é muito bem desenvolvido até a metade do filme. Falando nisso, a primeira metade é a melhor parte do filme, onde somos apresentados aos motivos que fizeram a tripulação da nave Prometheus viajar para tão longe de casa. E esse motivo é a tentativa de encontrar seres alienígenas que visitaram a terra no passado, e teoricamente poderiam ser os responsáveis pela criação da raça humana. Nessa lua distante, o grupo de pesquisa, financiado pela empresa Weyland, encontram ruínas misteriosas e vestígios de acontecimentos ainda mais misteriosos, que aguçam a curiosidade do espectador.
Já a segunda metade do filme abre mais espaço para os sustos e as mortes nojentas, marca registrada da série. O clima escuro, tenso e claustrofóbico continua excelente como de costume, o design da nave assim como das ruínas alienígenas são ao mesmo tempo novas e muito similares, trazendo aquele sentimento de nostalgia ao ver de volta na tela um ambiente conhecido. E falando nisso, a hora que a sala do Space Jockey reaparece pela primeira vez é de arrepiar qualquer fã da série.
Infelizmente os personagens não são tão bons quanto os do longa original. Noomi Rapace, no papel de Elizabeth Shaw, papel principal que seria a Ripley da vez, não chega aos pés de Sigourney Weaver e sua Ripley. Outros papeis que deveriam ser mais importantes como a Vickers de Charlize Theron, ou mesmo o capitão da nave, Janek de Idris Elba, tem pouquíssimos bons momentos. Se não fosse a presença de Michael Fassbender numa interpretação fantástica do androide David, o filme teria ainda mais problemas. Por sinal, o início do filme que mostra David sozinho na nave é incrivelmente parecido com 2001, e até mesmo a voz do comutador da nave lembra HAL 9000.
Como eu escrevi mais acima, ainda estou em conflito com este filme. Eu queria muito ter gostado mais dele do que eu efetivamente gostei. Queria muito chegar aqui e escrever milhares de elogios, dar uma nota 10 e dizer que é o melhor filme do ano, mas apesar de ainda ser um bom filme, os defeitos me incomodaram demais, estragando bastante a experiência. É sim uma ótima ficção científica que merece muito ser conferida por todos que gostam do gênero ou que são fãs dos filmes anteriores, e podem ter certeza que teremos alguma continuação num futuro próximo.

Nota 1- Pude conferir o filme em 3D na sala IMAX do Shop. Bourbon. Depois de Avatar, é o primeiro filme que realmente vale a pena ser conferido em 3D. Está muito lindo, com ótima utilização de diversos planos de profundidade inteligentes e relevantes, e sem ficarem jogando objetos na cara do espectador.

Nota 2- Nos créditos de abertura, as cenas de vôo são incrivelmente parecidas com o brinquedo SOARIN do parque EPCOT da Disney em Orlando.

sábado, 9 de junho de 2012

Motoqueiro Fantasma: Espírito da Vingança (nota 7)

Hora da polêmica! E por favor, não venham me xingar depois, gosto é igual a bunda, cada um tem a sua. Pra começar, achei o primeiro Motoqueiro Fantasma um lixo sem tamanho. Erraram tanto no filme, e de tantas formas, que não sei nem o que me incomoda mais, se é o roteiro péssimo, a descaracterização absurda de Jonny Blaze ou a inclusão forçada de um interesse romântico desnecessário ao personagem. De qualquer forma, pior que estava não podia ficar, certo? E os trailers desta continuação me pareciam bem promissores, mas..... 
Quando vieram as primeiras críticas, todas demolindo o filme, alguns dizendo ainda que chegava a ser pior do que o primeiro, eu não acreditei! Não é possível que conseguiram errar tanto e de novo. Mas logo eu persebi como estavam o teor das críticas e entendi o problema, o que me deixou ainda mais curioso para conferir o filme. E esse motivo é muito simples, a dupla de diretores Mark Neveldine e Brian Taylor, os retardados responsáveis por "pérolas" como os dois Adrenalina e Gamer, filmes absurdos e que não se levam a sério. E é a mesma coisa que acontece neste segundo filme do cabeça de fósforo, tornando o filme diversas vezes hilário, com pitadas de humor cruel, bizarro e de baixo calão (genial o lança-chamas). E eu adorei tudo isso!
O filme tirou todos os elementos desnecessários do primeiro longa, e não enrola para nos mostrar o que queremos ver, que é justamente o espírito da vingança em ação. E aí que i filme mais brilha, o design do personagem está brilhante, e incrivelmente caprichado graças a excelentes efeitos especiais. Nada mais de caveira branquinha e lisinha, agora temos um crânio esturricado, sujo e as chamas geram muita fumaça. A moto também não está ultra estilizada, mas é uma moto comum e também muito suja e esfumaçada. As transformações de Jonny Blaze em Motoqueiro são inspiradíssimas. Todas as cenas de ação ótimas, e o estilo visual de filmar dos diretores melhora ainda mas estas cenas, em especial as em alta velocidade filmadas rente ao chão. A ideia do motoqueiro incendiar qualquer veículo que pilota foi ótima.

Falando em transformação, finalmente deixaram o Nicolas Cage livre para surtar fazer as caras estranhas e dar os gritos de louco que ele sabe fazer melhor do que ninguém. Fazia tempo que não via uma cena digna de Cage. Apesar do roteiro não ser lá essas coisas, é mais interessante que o do primeiro filme. Tem alguns furos, mas não permite afetações desnecessárias. Já a entrada de Idris Elba dá o toque de qualidade na atuação levemente mais elevada nos momentos que o motoqueiro não está presente na tela.
Entendo que boa parte das críticas da mídia especializada e principalmente dos fãs de quadrinho sejam culpa da escrachada que foi dada na tratativa do personagem, ainda mais tendo em mente o ultra realismo presente nas atuais ótimas adaptações de quadrinho. Mas sinceramente, a escrachada foi tão bem feita, o humor foi tão bizarro, que tudo combinou bem demais com o personagem. E agora sim fez todo o sentido a escalação de Nicolas Cage para o papel, mesmo durante as cenas que seu rosto não aparece, encoberto por toneladas de fogo digital. A movimentação que ele deu ao personagem é estranha e hipnótica. Aliado a tudo isso, uma trilha com muito trash metal emalam para presente este pacote estranhamente divertido, para os que sabem apreciar quando nem a própria produção se leva a sério demais.
E aos fanboys que ficaram reclamando da pureza do personagem, sinceramente, eu curti muito mais esta interpretação do personagem do que a que temos nos quadrinhos. Me lembrou um pouco o visual estranho do Motoqueiro Fantasma 2099. Meu conselho: vejam de mente aberta, e quem sabem conseguem se divertir com o que o filme tem de melhor, que são as excelentes cenas de ação com muitos efeitos visuais, e ótimas piadas com direito a muito humor negro.

A Mulher de Preto (nota 6)

Eu tenho um problema com filmes que, se não fosse pela escalação de algum ator específico, seja qual for a razão, dificilmente mereceriam algum destaque. No caso de A Mulher de Preto, a escalação do ator Daniel Radcliffe, ninguém menos do que o Harry Potter, é tanto o que chama a atenção para o filme como também é o seu maior problema. 
Durante boa parte deste terror bem executado, me peguei esperando que o personagem principal Arthur Kipps puxasse uma varinha mágica. É muito difícil dissociar um rosto de um personagem tão popular (Mark "Luke Skywalker" Hamill manda um alô), ainda mais neste caso que a atuação de Radcliffe não é lá essas coisas. O problema do personagem é aceitar todos os estranhos eventos sobrenaturais que acontecem à sua volta de forma muito natural, quase sem nenhum susto ou surpresa, e muito menos sem nenhum questionamento. Nesse último caso, diria que a culpa é muito do texto e do estilo de terror britânico, que deixa o personagem sozinho quase todo o tempo de tela dentro do casarão sem ter com quem dialogar. Também entendo que o ator se parece muito mais jovem do que o personagem deveria ser.
Pelo lado bom, a tensão e o suspense que geralmente levam a um belo susto são muito bem construídos, em parte graças ao incrível cenário onde se passam as cenas mais tensas, um casarão antigo e abandonado construído em uma ilha cujo único acesso é uma estrada que passa a maior parte do dia alagada no meio de um pântano. O que ajuda também é o ritmo mais lento do filme, que vai te apresentando a bizarra trama aos poucos, construindo a tensão lentamente. O clima de estranheza no povoado próximo ao casarão diante do visitante de Londres é perturbador, deixando aquela sensação de "ou estão todos loucos ou o eu estou louco". Infelizmente, o final é bastante previsível.
Acho que foi corajoso de Daniel Radcliffe encarar um cinema de gênero como sua primeira tentativa fora do mundo de Harry Potter, mas infelizmente este não possibilitou a ele tentar mostrar algo diferente. O filme cria um bom clima de terror, mas falha na hora de concluir com alguma inovação. Vale a pena conferir para tomar uns bons sustos.

segunda-feira, 28 de maio de 2012

2 Coelhos (nota 9)

É muito raro eu me interessar por filmes brasileiros. Para aqueles que acompanham este blog isso é bem fácil de se notar. Mas não é nenhum tipo de preconceito com o cinema nacional, é que simplesmente as produções feitas por aqui não me atraem em absolutamente nada. Posso estar generalizando demais, mas estou realmente farto de filmes em favelas ou que se pareçam com uma novela da globo. É claro que filmes realmente bons, como os espetaculares Cidade de Deus, Tropa de Elite e Tropa de Elite 2, foram conferidos e merecidamente elogiados por mim, pois a estrutura do filme, o roteiro e tudo mais tornaram esses filmes atraentes ao meu gosto particular. E foi justamente este gosto particular que fez meus olhos brilharem quando vi o trailer de 2 Coelhos, me dando muita vontade de conferir esta produção. E finalmente aparece um filme brasileiro que, mesmo copiando outras referências hollywoodianas (e copiando muito bem por sinal) tenta algo diferente e divertido.
E onde está a chave para ter se tornado um filme tão interessante? É fácil explicar, e vamos começar pela mais básica e mais importante peça de um filme: o roteiro. Com uma trama muito interessante, cheia de reviravoltas e trapaças, alianças improváveis e planos mirabolantes, o roteiro conta uma história que lembra muito os bons filmes do diretor inglês Guy Ritchie (de Snatch e Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumengantes). Existem sim alguns momentos meio improváveis que podem ser considerados furos de roteiro, mas nada que estrague a experiência, pois mantém o interesse constante e a cada "plot twist", explode a cabeça do espectador.
Em segundo lugar, podemos destacar o visual do filme. Muito arrojado, rápido e videoclíptico, lembra também alguns momentos dos filmes de Zach Sneider e de Guy Ritchie, usando bastante de câmeras lentas (nos momentos certos, sem abuso), devaneios bizarros em mundos estranhos, e muitas paradas para colocar o nome do personagem na tela. As cenas de ação foram muito bem filmadas, assim como os inúmeros tiroteios que ocorrem. Em especial, cito uma ótima cena, muito bem montada, onde a câmera passeia pelo quarto, atravessando o cano da arma de um personagem, passando por trás deste mesmo quarto para mostrar a emboscada, somente para sair pelo cano de outra arma, acompanhando o primeiro tiro que precede a saraivada de chumbo. Novamente, nada extremamente original, mas muito bem executado e encaixado com o restante do filme. Em cima de tudo isso, a montagem não-linear do filme (influência direta de Quentin Tarantino) fecha o pacote visual para contar uma história excelente.
Em terceiro, podemos destacar os personagens. Não vou ficar descrevendo um a um, pois posso sem querer entregar um spoiler que pode arruinar a surpresa daqueles que pretendem conferir o longa. Mas posso dizer que todos os personagens são ótimos, sendo fácil o público sentir empatia ou ódio por eles. E a dualidade que existe em todos, nos faz mudar de opinião o tempo todo conforme o enredo vai se desenrolando. E isso se aplica a todos, sejam os "heróis" Edgar e Walter, a desejada Julia ou o ótimo vilão Maicom. Até mesmo os capangas de Maicom são divertidos, proporcionando algumas das cenas mais engraçadas, num humor negro típico novamente dos filmes de Guy Ritchie. A escolha dos atores para viverem estes papéis foi muito inspirada, estão todos ótimos e caíram como uma luva nestes papéis. E pra embalar tudo isso, uma ótima trilha sonora, compostas por músicas estrangeiras e nacionais (prepare-se para ouvir muito Titãs).
O trailer já tinha me surpreendido, mas não sabia o que esperar do filme dirigido e escrito por Afonso Poyart. Ao conferir a obra, fiquei ainda mais impressionado com o resultado final. Pode ser acusado de copiar um estilo americano (ou inglês), mas isso não é obrigatoriamente uma coisa ruim. Eu considero que foi algo muito corajoso e que precisa ser feito para levar mais pessoas aos cinemas para conferir o cinema nacional. Não entendo o motivo de não serem produzidos filmes de gênero no Brasil. Se Espanha, México, Japão e Coréia conseguem produzir ótimos filmes de terror por exemplo, por que o Brasil não pode se arriscar também nesse gênero, e se mantém fazendo sempre as mesmas coisas? Se for para eu escolher entre ver mais um dramalhão de favela ou um filme de ação que imita o Guy Ritchie, com certeza eu escolho o que imita Guy Ritchie.


sábado, 26 de maio de 2012

Poder Sem Limites (nota 8)

Uma grata surpresa este filme. Quando vi o primeiro trailer já fiquei bem interessado, e quando saíram as primeiras críticas, chamou ainda mais minha atenção. Mais uma prova de que, boas idéias, mesmo que não totalmente originais, se bem utilizadas, podem sim fazer algo com cara de original e interessante. E claro que, toda a exibição de poder lembra muito um filme de origem de super herói, tornando o filme muito divertido.
O personagem principal, Andrew, é um típico adolescente tímido americano, que sofre com bullying e não tem amigos na escola, além de ter um lar problemático com pai alcoólatra e mãe doente, um barril de pólvora. Ele somente interage com seu primo, Matt, e quando ambos vão a uma festa e junto com Steve, um aluno popular, encontram um estranho buraco no chão no meio do mato, entram em contato com um estranho objeto que lhes dá estranhos poderes telecinéticos, que vão ficando mais fortes a medida que os usam.
O filme segue a estética de "filmagens encontradas" ou mockumentary, estilo iniciado por Bruxa de Blair, e bem utilizado por filmes como Cloverfield, Atividade Paranormal ou REC. A princípio eu achei que parecia só um recurso devido ao baixo orçamento do filme, mas depois mudei de opinião, me parecendo mais uma escolha estética do diretor Josh Trank, que funcionou muito bem. A princípio a desculpa é simples para a câmera acompanhar o tempo todo, Andrew simplesmente quer filmar tudo. Depois eles passam a filmar o desenvolvimento de seus poderes, e quando não é feita nenhuma filmagem por eles próprios, a ação é capturada por câmeras de segurança ou por celulares de pessoas que estão observando a cena.
O ritmo do filme é muito bom. Os três amigos vão descobrindo aos poucos todas as possibilidades de seus poderes, e como são adolescentes, em um primeiro momento utilizam isso somente para pregar peças e se divertir às custas dos outros. Mas conforme suas habilidades vão aumentando e as suas idéias de como utilizar esses poderes vão se modificando, um cenário problemático se forma.
Essa comparação já foi feita em muitas críticas, mas não poderia ser mais acertada. As semelhanças com Akira, a clássica, cultuada e incrível animação japonesa, são inegáveis. E isso é uma boa coisa, pois existe um projeto em andamento para uma adaptação americana de Akira para um filme live action, algo que quase todos parecem concordar ser uma péssima ideia (Dragonball manda lembranças). Esse filme mostra que pode ser feito algo com as mesmas idéias, sem precisar destruir uma obra cultuada por muitos fãs, me incluindo nesses.
Me divertiu muito, me peguei com inveja dos poderes dos amigos, querendo poder voar com eles. Apesar da estética aparentando baixo orçamento, os efeitos especiais e as grandiosas demonstrações de poder ficaram muito bons. Me mostrou também o potencial que a extinta série Heroes poderia ter alcançado, antes de cair demais em qualidade e eu desistir dela. Vale a pena conferir.

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Atividade Paranormal 3 (nota 7)

Terceira parte da franquia que se iniciou com o ótimo Atividade Paranormal, que surpreendeu muitos com um terror simples mas verdadeiramente assustador. Nada assusta mais do que a simples sugestão de algo aterrador, desconhecido e incontrolável. Porém com esta terceira parte também vem aquele gosto de "mais do mesmo", pois a fórmula passa a se tornar repetida e previsível. Felizmente, ainda sobrou algum espaço para algumas surpresas, que vem novamente para assustar aos que ainda tem sangue frio para se aventurar.

Podemos chamar este Atividade Paranormal 3 de um prequel aos outros dois filmes anteriores. O filme se passa em 1988, onde acompanhamos as irmãs Katie (protagonista do Atividade Paranormal) e Kristi (protagonista do Atividade Paranormal 2) ainda crianças vivendo com sua mãe e seu padrasto. A desculpa para a existência de mais de uma câmera na casa é que Dennis, o padrasto, trabalha com filmagem e edição de filmes de casamento, já que não era qualquer residência que possuía sequer uma câmera gigante em casa nos anos 80. E quando estranhos eventos começam a acontecer na casa, é hora de montar 3 câmeras em 3 cômodos diferentes para que nossa atenção fique colada nas imagens estáticas durante as noites aguardando qualquer pequeno movimento para nos assustar.

O que difere muito o tipo de terror presente neste dos outros dois filmes é que a tensão criada quase sempre é correspondida. Enquanto nos anteriores demorava um pouco mais de tempo para realmente começarem os sustos, com muitas noites sendo filmadas onde nada acontece, aqui a enrolação é menor. Não achei isso bom, pois não constrói a tensão e medo crescente que marcaram os outros dois filmes. Em comparação temos aqui o tradicional cliché da criança com seu amigo imaginário, que permeiam boa parte das filmagens noturnas de acontecimentos bizarros. A câmera que foi montada na sala sobre um ventilador, e fica automaticamente virando para os lados foi uma boa sacada, e esse movimento da câmera é responsável pelos sustos ao mesmo tempo mais esperados, mas que trazem uma mínima inovação à fórmula estabelecida no primeiro filme.

De modo geral o filme é mais interessante que o segundo episódio da franquia. Além disso o enredo tenta esclarecer mais da história desta família atormentada por entidades de além do tecido da realidade. Mas o primeiro filme ainda reina supremo no meu ponto de vista, pois conseguiu surpreender com medo causado por tensão crescente e sustos imprevisíveis. Vale conferir pelas pessoas que curtem um bom terror.

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Millennium - Os Homens que Não Amavam as Mulheres (nota 8)

Adaptação hollywoodiana do best seller escrito por Stieg Larson. Eu já havia escrito a crítica da versão cinematográfica sueca deste livro, então farei muitas comparações. Mas uma coisa é certa, não poderiam ter escolhido melhor diretor para esta nova adaptação, tendo em vista outros filmes do currículo de David Fincher. Alguém que foi responsável por filmaços como Clube da Luta e Se7en, e o bom Zodíaco, é obviamente a pessoa certa para adaptar esta intrigante, sádica e violenta história de investigação. Somado a isso o fato desta adaptação ser muito mais fiel ao material original, fizeram o filme ser mais interessante e compreensível do que a versão sueca.


Mikael Blomkvist, um jornalista investigativo, após ser pego numa emboscada e ser condenado à prisão, é contratado por Henrik Vanger para investigar o assassinato de sua sobrinha que desapareceu 40 anos antes durante um estranho incidente na mansão da família. Durante sua investigação, ele encontra com Lisbeth Salander, uma habilidosa hacker habilidosa e de personalidade estranha. A investigação da dupla os leva por anos de história da família Vanger, cheia de personagens com histórias estranhas e sombrias, e acabam esbarrando num antigoserial killer de mulheres.


O filme é crú e viceral. Todas as cenas mais fortes e doentias são retratadas na íntegra, sem dó. E quem já conhece o enredo sabe muito bem que não são cenas leves. Muito do que existe no livro foi retratado fielmente, sem censura, tornando todo o filme mais fiel à obra original, e também mais compreensível. Eu achei que a versão sueca resumiu demais certos pontos, deixando a trama mais confusa do que realmente é. Claro que foram feitas adaptações no enredo também na versão americana, mas elas foram benéficas ao ritmo da trama, sem tirar informações importantes.

O elenco foi muito acertado. Daniel Craig caiu muito bem como Blomkvist, apesar de ter ficado a impressão dele ter uma personalidade menos marcante do que a apresentada no livro. Já a Lisbeth Salander de Rooney Mara é perfeita. Ela consegue passar a estanha personalidade de Salander aliada a uma fragilidade física que não acontece com a Noomi Rapace da versão sueca. Apesar da boa atuação da sueca, imaginava a Salander com um corpo menor e mais fraco. Já a direção sólida de David Fincher nas cenas mais tensas, sem aliviar nos momentos mais intensos foi perfeita.
De uma forma geral a adaptação americana se sobressai à sueca por ter atingido um nível de fidelidade maior à fonte original. Não é um remake do filme sueco, mas sim uma nova adaptação da obra literária. E como fã do livro, me vi gostando mais da desta versão americana.

Um Dia (nota 8)

Raramente eu fico disposto a ver um drama / romance. Não fosse a indicação da Ju, que já tinha lido o livro que foi adaptado para as telas, eu teria perdido uma bonita história de amor entre duas pessoas que passaram mais tempo pagando pelos seus erros do que se entregando ao que sabiam ser certo. São dessas coisas da vida que todos passamos e nos arrependemos, sabem como funciona, certo?
Dexter e Emma são dois estudantes que, após a formatura, acabam se conhecendo e criando um forte laço de amizade. A vida e a busca por trabalho acaba os afastando um do outro, mas todo dia 15 de julho acabam cruzando o caminho um do outro para reviver a amizade. Gostei muito da forma como são contados os encontros dos dois, e acompanhar o amadurecimento deles como adultos com o passar dos anos, e os erros cometidos que criam uma situação cada vez mais diferente do que gostariam que estivesse acontecendo. Tudo isso é acompanhado pelo passar das modas, estilos e eventos da cultura pop, que embala essa bonita e triste história para ser apreciada ainda mais por aqueles que passaram pela adolescência pelos anos 80 e 90 principalmente.
Segundo a Ju, a adaptação é boa mas carece de mais leveza. O filme quis dramatizar mais, e principalmente devido à música, deixar a história mais melosa do que deveria ser. As atuações dos atores principais estão ótimas. Jim Sturgess mais uma vez entrega um personagem incrivelmente profundo, e Anne Hathaway (mesmo com um sotaque britânico levemente forçado) corresponde na mesma medida. Mesmo não sendo um estilo de filme que me agrada muito, me peguei envolto pela história destas duas almas ligadas por uma força maior.

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Os Vingadores (nota 10)

Eu gostaria de ter começado esta crítica de forma mais alegre, mas infelizmente tenho que fazer uma reclamação. Comprei antecipadamente o ingresso para ver o filme na seção da meia noite de quinta-feira no Cinemark Eldorad, na alardeada sala XD. Ao entrar na sala, o tamanho da tela impressiona, e o som é realmente muito bom. Mas a falta de respeito que foi destinada aos clientes pelo Cinemark conseguiu estragar a experiência de curtir o ótimo filme pra muita gente. Pra começar, os lugares eram marcados, mas estranhamente foram vendidos mais ingressos do que haviam cadeiras disponíveis, e muita gente não conseguiu seus lugares, e a confusão fez a projeção atrasar em meia hora até que tudo fosse resolvido. E pra coroar a falta de respeito, desligaram o ar condicionado, fazendo uma sala lotada de pessoas virar uma sauna. Muitas pessoas começaram a passar mal com o calor, e confesso que, se não fosse minha gigantesca vontade de ver este filme, teria levantado e ido embora, exigindo meu dinheiro de volta. Se a administração do Cinemark tivesse o mínimo de decência, devolveria o caro ingresso (R$27,00) de todos que estavam lá naquela noite. Sinto informar-lhe Sr. Cinemark, mas perdeu dois clientes fiéis. Feita a reclamação, vamos ao que interessa!

Confesso que estava com medo deste filme, muito medo. Como seriam administradas nas telas todos os protagonistas e personagens secundários dos filmes Homem de Ferro 1 e 2, Thor, O Incrível Hulk e Capitão América. As possibilidades de dar tudo errado eram muito grandes, ou do filme virar simplesmente um Homem de Ferro 3. E apesar de conhecer a boa fama de roteirista de Joss Wheadon, seu trabalho como diretor de longas era interessante, mas pouco. Mas o que eu não contava é que Wheadon é um mestre nerd que conhece muito bem todos os anseios dos fãs, além de saber lidar muito bem com um grupo de personagens, sem deixar ninguém de fora, como visto em Serenity. Agora, percebo que a escolha para assumir roteiro e a direção do filme não poderia ser mais acertada, e como um fã dos quadrinhos e dos personagens nos cinemas agradeço a ele por ter entregado esta jóia que, além de divertir muito a todos os tipo de público, é um enorme presente aos fãs. Era fácil ouvir os nerdgasmos na sala de cinema, afinal se trata do ápice de tudo que a Marvel havia construído no cinema até então. O filme superou com louvor todas as minhas melhores expectativas e piores medos, entregando entretenimento puro.
O que me deixou realmente impressionado é como todas as peças se encaixam dentro do esquema do filme. Tudo que aparece e todos os personagens tem seu destaque no momento certo, na hora certa e na quantidade certa. As interações entre os heróis são ótimas, seja em diálogos à bordo do porta aviões da S.H.I.E.L,D. ou quebrando o pau no meio do mato. O ritmo do filme é excelente, sabe acelerar com incríveis cenas de ação, dar uma parada para o público respirar e dar boas risadas com ótimos alívios cômicos (na maior parte vindos de Tony Stark, ou até mesmo do Hulk!!), só para ser acelerado novamente em outra cena de ação de tirar o fôlego.
Mas de que adianta tantos heróis sem um antagonista de respeito, certo? E apesar de termos a invasão alienígena como motivo para muitas explosões, quem comanda tudo é Loki. Tom Hiddleston reprisa seu papel de Thor, e se antes já fora uma ótima interpretação de vilão, aqui ele se supera. Mais a vontade no personagem e mais livre para extrapolar suas maldades, o Loki em Os Vingadores é excelente, um vilão que adoramos odiar. Além das suas táticas de desilusão e manipulação, também participa muito bem em cenas de ação.
E quanto ao medo de ser mais um grande show de Robert Downey Jr. como Tony Stark? É claro que Tony Stark/Homem de ferro rouba a cena quando depende dele, mas seria impossível algo diferente disso, já que é um personagem incrível. Mas todos tem seus momentos, e o tempo de tela fica muito bem distribuído. Até o Agente Coulson tem ótimas participações, junto com Nick Fury, que se envolve em algumas cenas de ação também. E os heróis mais "humanos" como a Viúva Negra (Scarletr Johansson) e o Gavião Arqueiro (Jeremy Renner) não ficam devendo nada para os mais poderosos na hora que a quebradeira começa, obviamente que em menor escala. Outro medo era como encaixariam o "antiquado" Capitão América na liderança do grupo, e mais uma vez o Steve Rogers de Cris Evans se prova acima das expectativas, e mesmo com seu colant colorido (o uniforme menos inspirado do filme), as qualidades de liderança e perseverança daquele magrelo do seu filme solo nunca desaparecem.
Falando em personagens poderosos, finalmente temos a verdadeira exibição dos poderes plenos dos personagens Thor, Homem de Ferro e Hulk. Gostei do filme do Thor, mas faltou justificar por que ele é um deus, e aqui ele não deixa barato. O mesmo vale para o Homem de Ferro, que utiliza todo seu arsenal absurdo, além de suas plenas capacidades de vôo para ajudar na luta contra os invasores alienígenas. Mas o show de descontrole como sempre fica com Hulk, mais imparável e forte do que nunca. Além disso, o Bruce Banner de Mark Ruffalo certamente é o melhor dos que tentaram até agora interpretar a contra-parte do gigante esmeralda. As discussões científicas entre Banner e Stark são ótimas, ainda mais quando Stark tenta irritar propositalmente Banner para que se transforme no Hulk.
Porém imagino que o grande motivo que agrada tanto os fãs é que o filme realmente se parece com um quadrinho da Marvel em movimento. Ele conserva todas as características das revistas da Casa das Idéias, ou seja, os heróis vão primeiro quebrar o pau entre si, para depois acertarem tudo, virarem amigos e salvarem o dia. E aí começa a escalada para as espetaculares cenas de ação, nos embates entre Homem de Ferro, Thor e Capitão América. E mesmo sendo esta cena impressionante na escala, ela é a menor de todas as que estão por vir. A escala dos eventos só aumenta daí pra frente, culminando uma batalha gigantesca de cair o queixo em Nova York, que conta com todos os heróis lutando juntos, combinando táticas e movimentos, com a câmera os seguindo o tempo todo em takes longos e muito bem montados, deixando o queixo cair cada vez mais a cada tiro, cada martelada, cada flechada.
Já escrevi demais aqui. Não tem jeito, quando o a nerdisse ataca, a vontade de escrever muito deve ser contida. Eu poderia continuar elogiando por muito mais linhas, mas só vou irritar quem está lendo esta crítica.
Nota 1) O 3D deste filme está muito interessante, valeu a pena conferir mas com ressalvas. As legendas estavam horríveis e desfocadas. Não sei se isso era mais uma culpa da sala de cinema ou é problema do filme em si.

Nota 2) Pude conferir o novo trailer de Prometheus em 3D, e fiquei ainda mais louco de vontade de ver este filme.

Nota 3) A cena final é de deixar os fãs salivando para saber o que vai acontecer depois. Não diria foi surpresa ver o personagem que revelaram, mas foi sim genial

segunda-feira, 16 de abril de 2012

A Invenção de Hugo Cabret (nota 6)

Conhecem aquela sensação de ver um trailer de um filme que está sendo muito alardeado e comentado, mas que simplesmente não te converse a querer ver este filme em questão? Foi o que aconteceu comigo, não importava quantas vezes via o trailer ou lia a respeito em críticas que davam notas altíssimas ao longa, nada conseguia me convencer a dar uma oportunidade de ver a mais recente obra de Martin Scorsese no cinema. E meus receios todos se confirmaram, apesar de ser um filme muito bem feito, bem escrito e bem conduzido, o mesmo não consegue empolgar em momento nenhum, não criando uma empatia com o público e não criando um interesse pela trama, fazendo com que o espectador fique ansioso pela conclusão. Nem mesmo consegui identificar um clímax no final, de tão entediado que estava.
 Podem me criticar, dizendo que não entendi o filme, mas não é bem assim. Sei bem que se trata de uma grande homenagem ao cinema no seu início, e aos pioneiros que faziam milagres com a pouca tecnologia da época. O ganhador do Oscar O Artista (outro filme que não tenho a menor vontade de conferir) fez isso mesmo de forma muito mais direta. Mas como A Invensão de Hugo Cabret tem muito o jeitão de filme de Oscar, tenho certeza que só não ganhou por que O Artista foi ainda mais explicito nesta exaltação aos filmes antigos que a Academia tanto adora.
Como eu já escrevi na minha crítica de As Aventuras de Tintim, o uso atual do 3D é exagerado e desnecessário, a menos que utilizado corretamente por cineastas qualificados. Acabem vendo A Invenção de Hugo Cabret em 2D mesmo, portanto não consigo avaliar propriamente se alguém tão qualificado como Martin Scorsese conseguiu utilizar a a tecnologia bem. A única referência que tenho foi o trailer que vi em 3D nos cinemas justamente antes do Tintim, nas poucas cenas que vi na ocasião, me pareceu que foi bem utilizado sim, apesar de ao ver o filme completo em 2D, constatei cenas estranhas e forçadas cujo propósito seria somente exaltar o 3D. Mas posso estar sendo injusto, tenho convicção que o filme não utilizou o famigerado 3D somente como meio de arrecadar mais.
Apesar de todo o alarde em cima da produção, não funcionou pra mim. Reconheço suas qualidades. A produção é impecável, as atuações na medida certa, o visual é incrível, mas tudo isso é monótono. Toda a história criada para chegar ao Georges Méliès (Ben Kingsley), cineasta francês criador do filme Viagem à Lua de 1904, é arrastada demais. Os flashbacks que mostram as técnicas usadas pelo diretor para filmar são muito bons e também muito didáticos, e conseguem encantar o espectador, mas todo o resto que cerca isso parece que foi visto à força.